Categoria: Resenhas

[Resenha] O Silêncio das Montanhas, Khaled Hosseini

23 jun

o silencio das montanhasSinopse: O romance traz como protagonistas os irmãos Pari e Abdullah, que moram em uma aldeia distante de Cabul, são órfãos de mãe e têm uma forte ligação desde pequenos. Assim como a fábula que abre o livro, as crianças são separadas, marcando o destino de vários personagens. Paralelamente à trama principal, Hosseini narra a história de diversas pessoas que, de alguma forma, se relacionam com os irmãos e sua família, sobre como cuidam uns dos outros e a forma como as escolhas que fazem ressoam através de gerações. Assim, como em O caçador de pipas, o autor explora as maneiras como os membros sacrificam-se uns pelos outros, e muitas vezes são surpreendidos pelas ações de pessoas próximas nos momentos mais importantes. É um globo altlivro sobre vidas partidas, inocências perdidas e sobre o amor em uma família que tenta se reencontrar.

Drama   |   352   páginas   |   Avaliação 3 / 5

   A motivação para ler O Silêncio das Montanhas (com certeza absoluta) foi o ENORME impacto que o livro A Cidade do Sol, do mesmo autor, causou em mim. O Caçador de Pipas também fez um sucesso estrondoso, mas nem se compara a A Cidade do Sol (não sei nem descrever o quanto esse livro é MARAVILHOSO e merece ser lido e relido).

   O Silêncio das Montanhas é o livro mais recente do autor lançado no Brasil. A carga emocional é tão forte quanto a de suas obras anteriores. Hosseini vai tratar de um assunto delicado: a separação. Pari e Abdullah são irmãos que moravam em uma aldeia próxima a Cabul. Pari era bem novinha quando foi vendida, não era capaz de compreender a crueldade e os sacrifícios dentro da sociedade a qual vivia. Foi um baque forte na vida de Abdullah, pois o irmão era muito apegado à caçula. É comum algo como tal ocorrer no oriente médio. À primeira vista, tudo o que conseguimos pensar é, no caso de Pari, por que isso? Mas não é difícil captar o que anda acontecendo por ali. 

o silencio das montanhas

“Posso resumir numa palavra: guerra. Ou melhor, guerras. Não uma, nem duas, mas muitas guerras, tanto grandes como pequenas, justas e injustas, guerras entre diversas castas de supostos heróis e vilões, e cada herói nos fazendo sentir mais saudade do antigo vilão” (p. 110).

   O livro tem a capacidade de nos mostrar o impacto que essa separação cria. Não só pela visão de Abdullah, mas também a partir de outros personagens e grande significância na trama. Ele vai fazer jogadas entre o passado e o presente, além de nos levar ao Afeganistão, França Grécia e Estados Unidos.

 “… Não havia como esquecer. Pari insistia em pairar nos limites do campo visual de Abdullah onde quer que ele fosse. Era como o pó que se apegava à sua camisa. Estava nos silêncios que se tornaram tão frequentes na casa, silêncios que intumesciam entre as palavras trocadas, às vezes frios e vazios, às vezes prenhes de coisas que não eram ditas, como uma nuvem cheia de uma chuva que jamais caía…” (p. 52).

   Khaled Hosseini me deixou despedaçada com essa história. Enquanto eu lia, torcia por tanta coisa… Não sei nem como explicar o quanto o desfecho me tocou. Não só isso, mas me deixou sem chão. Você treme e descabela, mas não tem para onde ir. Só a opção de virar as páginas, seguindo em frente. Não só por ele ter falado, mas a gente realmente sente o quanto o autor se coloca em seus livros, dá o máximo de si a fim de transpassar a dor e a esperança que viveu em seu país de origem.
Até a próxima!
  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha] Corte de Espinhos e Rosas, Sarah J. Maas -Releitura de A Bela e a Fera

    17 jun

    corte de espinhos e rosas resenhaSinopse: Depois de anos sendo escravizados pelas fadas, os humanos conseguiram se libertar e coexistem com os seres místicos. Cerca de cinco séculos após a guerra que definiu o futuro das espécies, Feyre, filha de um casal de mercadores, é forçada a se tornar uma caçadora para ajudar a família. Após matar um lobo gigante, uma criatura bestial surge exigindo uma reparação. Arrastada para uma terra mágica e traiçoeira — que ela só conhecia através de lendas —, a jovem descobre que seu captor não é um animal, mas Tamlin, senhor da Corte Feérica da Primavera. À medida que ela descobre mais sobre este mundo galera-recordonde a magia impera, seus sentimentos por Tamlin passam da mais pura hostilidade até uma paixão avassaladora. Enquanto isso, uma sinistra e antiga sombra avança sobre o mundo das fadas e Feyre deve provar seu amor para detê-la… ou Tamlin e seu povo estarão condenados.

    Fantasia   |   433 páginas   |   Avaliação 5/5

       Foi muito engraçado a maneira que descobri o livro. Uma amiga (a Ingrid, do Resenha Atual) havia lido e me indicou. Foi difícil decidir comprá-lo, porque sou MUITO chata com fantasia. Meio que parei de ler, porque me decepcionava muito com o gênero. O mais legal disso tudo é que eu amei a história e indico o livro para todo mundo agora hahahah Queria que vocês entendessem a dimensão da obra, por isso vou tentar resumir dando detalhes do que achei interessante, mas o universo de Corte de Espinhos e Rosas é bem complexo, então pode ser que fique um pouco grande. 

       O mundo aqui é dividido entre as terras humanas e as Feéricas, que é onde habitam criaturas infinitamente mais fortes que os humanos, incrivelmente perigosas e bonitas. Havia um acordo entre eles que nenhum dos povos deveriam cruzar a terra do outro. Porém, um ser feérico transformado em lobo vagava pelas florestas das terras que pertenciam aos humanos. Feyre, nossa protagonista humana, vê a criatura enquanto caçava alimento e decide derrubá-la. Ela tinha duas irmãs egoístas e um pai irresponsável, que há muito já havia desistido de lutar para sobreviver. Toda responsabilidade recaía sobre a garota. Aprendera a se virar sozinha. Quando chegou com o enorme lobo, não havia como esconder a satisfação de ver sua responsabilidade sendo cumprida. 

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       Em algum momento da noite, a casa deles é invadida por uma criatura bestial, como um enorme lobo também, que dizia que, por ela ter quebrado o acordo e matado um ser feérico, deveria renunciar toda sua vida ali e ir com ele para as terras encantadas, mais precisamente para a Corte Primaveril. Se quisesse manter todos a salvo, deveria fazer isso. Então o fez.

       Os feéricos tinham fama de serem maus, então só alguém estupidamente burro se voltaria contra uma ordem ou os enfrentaria. Foi isso que Feyre fez na maior parte do tempo. Ela chegou tremendo, com receio de tudo. Como o romance tem um toque de A Bela e a Fera, muitos já devem imaginar o que acontece. A garota começou a se sentir apaixonada pelo feérico, o qual se chamava Tamlin. Sua Corte era enfeitiçada e todos usavam máscaras, ao passo que no clássico, eles eram a mobília. As cenas que se desenvolvem ali são bem gostosas de ler. Os diálogos fluem perfeitamente bem. De pouquinho a pouquinho, vamos vendo o desenvolvimento do envolvimento da garota com aquele novo povo. No que antes queria fugir e retornar para sua família, seu desejo se tornou outro: viver eternamente com Tamlin.

    ” Tudo se tornou um borrão de cor e som, e ele era o único objeto ali, me puxando de volta para a sanidade, para meu corpo, que brilhava e queimava em todos os lugares que Tamlin tocava” (p. 237).

       Existe uma segunda parte no livro, embora ela não seja sinalizada. É quando o prazo da maldição de Tamlin chega ao final. É a partir desse ponto que a tensão, o pico da narrativa de fato se eleva. Toda Corte é sequestrada por Amarantha. Ela é a bruxa a qual os amaldiçoara. Feyre, fraca coitada, enfia naquela cabeça dura de que pode salvar a todos da maldição. Ela sofrerá MUITO nas mãos de Amarantha. Mas devo dizer que são as melhores cenas do livro! Eu gritava, roía as unhas, faltava o ar e pulava! Fiquei tão, mas tão (absolutamente) imersa na narrativa que quando você percebe, ela já acabou. Só lembro que eu queria ler sem parar. Esse livro é desses hahahah Danadinho! E preciso destacar também a ESCRITA da autora. Que envolvente! 

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       Só pra finalizar, queria ressaltar que uma das coisas que eu adoro ler/assistir é empoderamento feminino, só que não estereotipado, estilo “machinha”, por favor! Assim como vi em The Kiss of Deception, criei um pouquinho de expectativas aqui, mas infelizmente não acontece, nem um pingo. É só uma observação, não crítica. Até porque, Feyre é de acordo com que a história pede. E ela pediu uma garota corajosa, mas também humana. Os seres mágicos das terras feéricas eram famosos pelo poder e maldade, e não seria nada inteligente enfrentá-los. Por isso ela se mostrou bem relutante e medrosa. Entretanto, conseguiu ser forte quando necessário. Estou lendo já Corte de Névoa e Fúria e, pelo amor dos marcadores de página, preciso terminá-lo! 

    Até a próxima <3

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha + SORTEIO] Meu Nome é Albert, Ronaldo Viana S.

    3 jun

    meu_nome_albert_capa_em_baixaSinopse: Pessoas são diferentes. Pessoas são únicas. Pessoas têm nome e, neste livro, o nome Albert poderia ser substituído por John, Dimitri, Sarah, Giulia, poderia até ser Kurt ou qualquer outro. Poderia ser o seu, poderia ser o meu. Lendo este livro, é possível que você ria com Albert, que chore com ele. E é bem possível que você o ame. Talvez você se veja nesse garoto e queira entrar nas páginas desta obra e defendê-lo – ou defender-se – de seus agressores. Meu nome é Albert! é uma obra baseada em fatos reais. Nela o autor reviveu aeditora-novo-seculo própria história e a de milhares de pessoas ao redor do mundo, talvez até a sua. Uma história que é vivida por muitos, mas que não deveria pertencer a ninguém.

       Drama   |   256 páginas   |   Avaliação 5 / 5

       meu nome e albert ronaldoO autor vai nos levar a meditar acerca do bullying, fazendo pensar em como podemos prestar mais atenção às pessoas ao nosso redor. Além disso, vemos como que é difícil tanto a autoaceitação de quem está sob violência física e psicológica, quanto a aceitação daqueles que praticam (os bulliers). Devemos ter pena ou dar o troco nos igualando à eles? Qual é a vantagem em não revidar? Está certo sofrer calado? E quando não temos força ou vontade de pedir ajuda? E se o buller for alguém da própria família?

       O ano é 1974 e o cenário é uma pequena cidade na Alemanha. O pequeno alemão, Albert é o caçula da família. Com apenas 11 anos, já passava por situações preocupantes, as quais acarretava ao garoto dias carregados. Seus irmãos, Carol e Tom, sempre o tratavam com desprezo. Na escola, era alvo de zombarias. Pra piorar, até uma professora o fazia de chacota. Tudo isso por ter nascido com somente três dedos nas mãos. Essa fase de desenvolvimento é a que mais deixa marcas em alguém, e fico preocupada em como crianças crescem passando por isso. Nenhuma deveria.

    “Bella realmente estava muito preocupada com Albert e achava que estava perdendo o filho para um mundo desconhecido, solitário e, pior, talvez sem volta” (p. 22).

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       Os momentos de paz que ele tinha era quando passava o tempo no jardim de sua casa. Lá, ele conversava com seu melhor amigo (imaginário), Kurt. Sua mãe, preocupada com a solidão dele, buscou ajuda com a igreja, a escola e um médico psicólogo. Demorou muito tempo até, enfim, se dar conta que seu filho sofria bullying na escola e, infelizmente, até dentro de casa, pela própria família.

    “Aquele jardim era o refúgio de Albert e o seu esconderijo seguro, ao passo que Kurt era o amigo que o mantinha vivo e acalentava a esperança de dias melhores” (p. 27).

       Um fato interessante é que alguns acontecidos com Albert foram inspirados na própria vida do autor, Ronaldo Viana S.  Ele escreveu uma história que pode ajudar a compreender e a obter soluções sobre o bullying tanto no ambiente escolar quanto familiar. 

    “- Eles colocam apelidos feios em mim, implicam todo dia comigo e me agridem. Como vou amar essas pessoas?
    – Mas não são essas pessoas que precisam de amor, Albert?” (p. 44).

    meu nome e albert

       Meu Nome é Albert me fez refletir diversas coisas. Para apresentá-lo, vou logo dizendo para não se assustarem, pois, apesar do gênero dramático e o enredo aparentemente pesado, a narrativa se desenvolve de maneira delicada, a fim de não provocar aquela energia densa. É o mesmo sentimento que fluiu em mim ao ler Juntando os Pedaços, de Jennifer Niven. A história externa tal sensibilidade ao explorar o assunto, o que nos faz simpatizar com Albert e, de certa maneira, nos vemos nele. Albert é só mais um garoto oprimido. Mas poderia ser qualquer outra pessoa. Poderia ser você. Poderia ser eu.

       Nesse livro, você vai encontrar todas as respostas para as perguntas apontadas na introdução. Não deixe para amanhã para descobrir como termina a história de Albert (e também a sua, a nossa).

    SORTEIO

       Está rolando no nosso IG. Acesse a foto oficial clicando abaixo para ser direcionado até a página do sorteio. Basta curtir a foto, marcar três amigos e seguir!! Boa sorte aos participantes!

    sorteio de livro

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha] Goosebumps: Um Dia No Parque do Terror, R.L. Stine

    29 maio

    um dia no parque do terrorSinopse: A família de Lizzi queria ir ao Jardim Zoológico, mas acabou se perdendo. A sorte foi ter encontrado um outro parque de diversões superlegal: o Parque do Terror. As atrações são bem assustadoras. Um brinquedo mais amedrontador que o outro.editora fundamento Mas, de repente, coisas bizarras começam a acontecer, e o que era diversão se torna real demais…

    Terror Infanto Juvenil   |   96 páginas   |   Avaliação 4/5

       Lizzy, nossa narradora, embarca em uma viagem de carro com seus pais, seu irmão mais novo, Luke, e um amigo do irmão, Clay. O caminho até o Zoológico estava árduo. Se encontraram em uma estrada de terra onde não se via nada, para nenhum dos lados. Para surpresa de todos, uma placa revelando um parque de terror apareceu bem à vista de todos, e as crianças acabam convencendo seus pais a darem uma paradinha e depois continuar viagem.

    “Eu também achava que o Parque do Terror podia ser um lugar legal. Eu adorava lugares assustadores” (p.10). 

       Tudo era MESMO muito assustador. Além de brinquedos sinistros, haviam animais ariscos e funcionários mascarados e apavorantes. Os três se separaram de seus pais para curtir do jeito que quisesse o parque. A cada atração que iam, mais assustado ficavam. Luke estava determinado a não demonstrar medo, então fingia achar graça depois que todo mundo já tinha gritado. Mas Lizzy sabia que havia algo errado. Os brinquedos poderiam não ser uma brincadeira.

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    VIAGEM NO CAIXÃO. UM RELAXANTE PASSEIO PARA O TÚMULO.

    QUEDA LIVRE. O ÚNICO BUNGEE JUMP SEM CORDA.

    MUSEU DA GUILHOTINA. POR FAVOR, CUIDE DA SUA CABEÇA. 

    QUEBRADO. QUER DAR UMA VOLTA MESMO ASSIM?

       O leitor pode esperar por uma diversão completa (ou não). Como avisado na capa, só entre se tiver coragem. R.L. Stine traz mais uma história para juvenis de arrepiar! A série Goosebumps é uma boa pedida quando se trata de o conteúdo não ser tão forte, explícito e maquiavélico como os quais encontramos em outros do gênero. 

       A leitura se passa com rapidez. As páginas são curtinhas, então, dependendo da sua paciência (hahaha), dá para finalizá-lo no mesmo dia. Só posso dizer que desfrutei do livro. Gosto quando o gênero mistura adolescentes e passeios hehe (conheça JOGOS MACABROS, do mesmo autor. Tem essa misturinha também *.*) Pode acontecer qualquer coisa!

    Até mais!

  • Categorias: Resenhas, Terror e Suspense
  • [Resenha] A Nova República, Lionel Shriver

    20 maio

    a nova republicaSinopse: Há anos um grupo separatista da região de Barba, em Portugal, explode bombas ao redor do mundo como estratégia para conseguir a sua independência. A comunidade internacional vive aterrorizada e a autodeterminação de Barba é um dos temas centrais da política mundial. A capital, Cinzeiro, abriga jornalistas de toda parte, entre eles o recém chegado Edgar Kellogg – advogado bem-sucedido que trocou a carreira em Nova York pelo entusiasmo e a imprevisibilidade do jornalismo. Hostilizado na infância por ser gordo, construiu uma_Intrínseca idolatria por personagens magnificentes. Quando lhe oferecem uma vaga de correspondente em Barba, península ficcional de Portugal onde surgiu um movimento terrorista, Edgar não hesita. Enviado para substituir o excepcional repórter desaparecido Barrington Saddler, o novato reconhece nesse homem grandioso a figura que deseja imitar. 

    Ficção   |   384 páginas   |   Avaliação 5/5

       Esse, dentre os seis livros lançados no Brasil da autora, é o mais recente. Não por ordem de escrita, e sim por lançamento. Originalmente, A Nova República foi concluído em 1998, mas não publicado, pois, por abordar um assunto tão intrincado na época como terrorismo, a autora não conseguiu seduzir o público. Ainda mais depois dos atentados de 11 de setembro. O romance teve que ficar mais alguns anos na gaveta até, enfim, ser publicado em 2012. No Brasil, em 2015.

       O livro flui com a presença de Edgar Kellogg narrando em terceira pessoa. O homem estava em seus quarenta e poucos, tinha uma vida tranquila financeiramente trabalhando no ramo da advocacia e uma namorada. Ganhava muito bem, porém isso não era seu objetivo na vida. Queria ter emoção, viver uma aventura, se tornar admirado. Para isso, nem ao menos se importou em colocar na balança o que perderia se largasse tudo em busca de seu sonho. Logo, entrou em contato com um amigo da época da faculdade e este o indicou pra uma entrevista em um jornal, National Records. Aceitou por uma merreca o emprego de correspondente substituto. E sua primeira parada seria em Barba, uma península fictícia de Portugal onde a população é pobre, ingrata e alvo de atentados terroristas. As pessoas queriam mais era sair do lugar do que de fato irem para lá.

     “Não existe nenhuma “verdade” global lá fora. Só um punhado de pequenos fatos banais, dissociados” (p. 25).

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       Edgar foi obeso em sua juventude. Em um misto de raiva e frustração, obteve sucesso na perda de peso, entretanto, o trauma fora tanto que deixou algumas cicatrizes profundas em sua alma. Ele se criticava. Sua auto estima era tão diminuto, que qualquer pessoa era melhor do que ele. Por esse motivo, teve algumas fantasias onde, em sua cabeça, idolatrava um amigo da faculdade como se fosse seu ídolo. Qualquer um que aparentasse ser mais seguro que Kellog, era melhor que Kellog.

    “Provavelmente, era mais interessante adorar que ser adorado, mais arrebatador, mais cativante e, de um modo ou de outro, muito menos assustador” (p. 375).

    “Edgar reconheceu sua vida como um ato ininterrupto de redução” (p. 373).

       Chegando em Barba, conheceu seus companheiros de trabalho. Foi inundado por enaltecimentos dos colegas por Barrington. Tal homem era adorado ali. Bear, como era chamado, estava no cargo antes de Edgar cobrindo o movimento terrorista, e sumiu do nada. Ninguém sabe se havia fugido, sido estripado, assassinado… Acontece que Bear era endeusado aparentemente por (quase) todos ali. Com isso, Edgar sentiu o tamanho da influência que o homem exercia, e sem ao menos conhecê-lo, o invejou. Durante toda sua estadia, ele foi assombrado por seu fantasma. Até sua alucinação o intimidava.  

     “[…] se Barrington não o fizesse, parecia uma coisa sem graça” (p. 274).

       A casa em que hospedou era a mesma que Barrington havia ficado. Ali descobriu muita coisa, coisas as quais teria sido melhor se permanecessem escondidas. Fez Edgar tomar rumos que certamente se arrependeria mais tarde. O peso da culpa o encobriria, sem haver a possibilidade de voltar atrás. Péssimo para ele, mas excitante para os moradores de Barba.

     “Edgar saiu forta afora. Vum, o vento esbofetou no rosto, com o conhecimento certeiro de que, ao passar por aquela soleira, ele também havia cruzado um limite para o qual poderia ser difícil voltar” (p. 228).

    “Naquela noite, muitos seriam os barbenses entediados que se alegrariam em segredo por estar finalmente acontecendo alguma coisa naquele lixo de Cinzeiro” (p. 356).

       Agora, o que eu achei? Pelo tamanho da resenha já deu pra perceber que gostei pouco hahah Quando a gente gosta, não tem como mesmo… Mais uma vez Lionel Shriver me intrigou. SEMPRE me descabelo enquanto leio seus livros. Esse foi o que teve a pegada mais leve, apesar do tema parecer “chato” e duvidoso. Sei que o assunto pode aparentar um tanto redundante para os fãs de leitura que preferem levar como hobbie, mas deem uma chance para a autora. Seus livros nos permite pensar. Não é uma escrita simples, mas também não é tão rebuscada. 

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       Imagino aqui comigo como posso convencer vocês de lerem… Ela é a autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, livro aclamado pela crítica. Até foi feito uma adaptação cinematográfica. Seu jeito inteligente de organizar pensamentos na escrita é de deixar a gente de boca aberta. Em todo livro ela faz sacadas geniais e os desfechos SEMPRE impressionam. Podem ter certeza de que o final nunca vai ser algo que vocês esperam.

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha]: As Provações de Apolo – O Oráculo Oculto #1, Rick Riordan

    16 maio

    o oraculo ocultoSinopse: Como você pune um deus imortal? Transformando-o em humano, claro! Depois de despertar a fúria de Zeus por causa da guerra com Gaia, Apolo é expulso do Olimpo e vai parar na Terra, mais precisamente em uma caçamba de lixo em um beco sujo de Nova York. Fraco e desorientado, ele agora é Lester Papadopoulos, um adolescente mortal com cabelo encaracolado, espinhas e sem abdome tanquinho. Sem seus poderes, a divindade de quatro mil anos terá que descobrir como sobreviver no mundo moderno e o que fazer para cair novamente nas graças de Zeus. O problema é que isso não vai ser tão fácil. Apolo tem inimigos para todos os gostos: deuses_Intrínseca, monstros e até mortais. Com a ajuda de Meg McCaffrey, uma semideusa sem-teto e maltrapilha, e Percy Jackson, ele chega ao Acampamento Meio-Sangue em busca de ajuda, mas acaba se deparando com ainda mais problemas. 

    Fantasia/Aventura   |   320 páginas   |   Avaliação 5 / 5

     

       Essa, sem sombra de dúvidas, foi minha melhor leitura do ano de 2017! (por enquanto hahaha). Espero me impressionar muito ainda com os próximos que estão na minha TBR.

       Bom, para começar, vou logo dizendo que acompanho a saga de Percy desde O Ladrão de Raios, e tenho lido todos os lançamentos que se sucederam dentro desse universo. As Provações de Apolo é a terceira série de livros que diz respeito aos nossos queridos heróis, tanto gregos quanto romanos. O mais legal é que não precisa acompanhar desde o início para compreender o contexto. Imagina ter que ler os 10 (!!!!) livros anteriores para poder ler As Provações de Apolo? Se bem que eu acho que vocês iriam curtir. Sei que a quantidade assusta, mas os livros são tão empolgantes que valem a pena! Além disso, é muito legal a questão das referências entre um livro e outro. Vamos falar sobre Apolo agora porque é isso que interessa hahah Vocês irão entender o porquê dele ter sido uma das melhores leituras. O que merece destaque nesse livro é essa narrativa fluída que o tio Rick, mais uma vez, criou e não decepcionou! O humor, que não vai te deixar na mão, e também a transformação do deus. Tiro o chapéu. Foi incrível!

       Quem acompanha a saga de Percy desde o início conhece a fama do deus Apolo. É um dos mais lindos, mas também o mais irritante, mesquinho, narcisista, fresco , orgulhoso, entre outras características semelhantes. Chega até a parecer inocente diante de tanta cegueira acerca de si mesmo; de que é maravilhoso e todos o devam adorá-lo. Enfim, em O Sangue do Olimpo (o que antecede O Oráculo Oculto, da série Os Heróis do Olimpo), aconteceu uma guerra entre os heróis grego e romanos contra Gaia e seus titãs. Apolo levou culpa por ter ajudado Gaia em seu renascimento, então Zeus, como castigo, transformou o deus na coisa que ele mais abominava, na figura mais imperfeita de todas: o de ser humano. Com isso, Apolo terá que passar por várias provações a fim de demonstrar a Zeus que é digno de ser um deus, para então seu pai conceder-lhe a forma divina novamente. 

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       ” Mas de uma coisa eu tinha certeza: minha punição fora injusta. Zeus precisava botar a culpa em alguém, e claro que escolheria o deus mais bonito, talentoso e popular do Panteão: eu ” (p. 10).

       Com isso, é assim que as coisas começam a ficar engraçadas. Como eu disse, Apolo é um bocado narcisista, o que o fará entrar em contradição com suas condições humanas. Suas reclamações não são chatas (um pouquinho), são hilárias! De tanto que é fresco, ele solta cada pérola que não tem outro jeito a não ser rir dele. O livro ainda quebra a 3º parede (o que faz o narrador se comunica com o leitor). Tinha hora que eu parava e pensava “Menos, Apolo. Beeeem menos” hahaha

    ” Por algum motivo, os biscoitos eram azuis, e o cheiro era divino. Posso dizer isso porque eu sou divino ” (p. 45).

       As citações também com celebridades, filmes ou livros famosos vai te deixar com saudades do Apolo recém transformado em humano porque, inegavelmente, toda livro pede um crescimento, tanto da narrativa quando dos personagens, e isso vai acontecer com Apolo. A transformação dele, lá do início da obra, para quando o deus está sendo provado em sua primeira missão (indo para a conclusão do livro) é incrível! Seu amadurecimento acontece tão naturalmente… Você consegue perceber que não tem um tipo de quebra na narrativa, tudo é bem espontâneo, fluído. Impossível o leitor acompanhar esse desenvolvimento e não ficar de boca aberta. Lester Papadopoulos, nome humano de Apolo, se tornará um garoto incrivelmente astuto e, apesar de todas as pulgas atrás da orelha que eu tinha, ele se mostrará preocupado com o bem do próximo e não medirá esforços para salvar a vida de quem ele ama.

       “ – As coisas nem sempre precisam terminar da mesma maneira, Apolo. Essa é a parte doa de ser humano. Nós só temos uma vida, mas podemos escolher que tipo de história queremos ter” (p. 291).

       Espero que eu tenha conseguido transmitir um pouco do tantão que gostei do livro. É uma fantasia com toques de humor e drama recheado com personagens que adoramos. Se você gosta tanto de Percy como eu e se apaixonou também pela legião de heróis gregos e romanos, essa nova saga de Rick Riordan vai te fazer matar a saudade. Ainda teremos mais quatro lançamentos confirmados pela frente. Neste aqui, por mais que o foco tenha sido em Apolo e as aparições dos outros personagens tenham sido curtas, existem várias deixas que indicarão que haverá interações MUITO em breve com todo esse pessoal que a gente não consegue desapegar <3

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    Até a próxima!

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