Categoria: Resenhas

Em Algum Lugar nas Estrelas, Clare Vanderpool – Vale a Pena?

25 abr

em algum lugar nas estrelasSinopse: É um romance intenso sobre a difícil arte de crescer em um mundo que nem sempre parece satisfeito com a nossa presença. Pelo menos é desse jeito que as coisas têm acontecido para Jack Baker. A Segunda Guerra Mundial estava no fim, mas ele não tinha motivos para comemorar. Sua mãe morreu e seu pai… bem, seu pai nunca demonstrou se preocupar muito com o filho. Jack é então levado para um internato no Maine (o mesmo estado onde vivem Stephen King e boa parte de seus personagens). O colégio militar, o oceano que ele nunca tinha visto, a indiferença dos outros alunos: tudo aquilo faz Jack se sentir pequeno. Até ele conhecer o enigmático Early Auden. Early, um nome que poderia ser traduzido como precoce, é uma descrição muito adequada para um prodígio como ele, que decifra casas decimais do número Pi como se lesse uma odisseia. Mas, por trás de suadarkside logo genialidade, há uma enorme dificuldade de se relacionar com o mundo e de lidar com seus sentimentos e com as pessoas ao seu redor.

Fantasia/Aventura   |   288 páginas   |   Avaliação 3 / 5

   Jack é um menino assombrado pela dor da perda de sua mãe. A mulher era seu universo, e vê-la partir causou vários danos em seu coração. Seu pai, quem não tinha muito contato, acabou levando-o para um orfanato e lá foi onde conheceu Early Aden, um garotinho doce e sensível ao mundo ao seu redor. 

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” – Somos parte da mesma constelação, seu pai e eu – ela dissera naquele dia – Só que ela não está em nenhum livro. […] Ouvir minha mãe era como ler poesia. Eu tinha que alargar a mente para entender o que ela queria dizer. E mesmo quando entendia, de vez em quando eu tentava resistir, não absorver o significado” (p. 48).

   Early, apesar de não citar em parte alguma durante a narrativa, é autista. Explica a autora, nas considerações finais do livro, que o termo não era comum na época. Isso faz com que o garoto apresente certos “dons”. Ele é mais abrigado em sua própria mente, e enxerga coisas que quase ninguém vê ou se importa o bastante para compreender, como, por exemplo, a morte de seu irmão, Fisher. Ele tem provas contra a veracidade do fato, então resolve sair em uma busca de Fisher. De algum modo, Early associa a vida de seu irmão com os números de Pi. Acreditava que cada número contava um momento da história de Fisher.

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“Era assim que as coisas funcionavam com Early. Ele podia ter a mesma informação que todo mundo tinha, mas, para ele, o significado era diferente. Ele via o que ninguém mais percebia” (p. 248).

   Com a aproximação a Early, Jack não pôde deixar seu amigo ir a uma procura suicida, e foi junto. Com o tempo, foi percebendo que havia muito mais do que os olhos podiam ver. Nessa viagem eles se deparam com piratas, ursos e pessoas incomuns.

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“Não tinha certeza de que Early sabia para onde íamos, mas eu estava ali e iria com ele até o fim” (p. 112).

   Sendo bem sincera, o que me atraiu foi a capa. Se você não comprou um livro pela capa não sabe o que é agir por impulso hahahah Se a cover é assim tão maravilhosa (a capa mais linda da minha estante <3), imagine a história por dentro dela! *.* Pois é, pensei desse modo. Quem nunca? Mas isso não aconteceu por aqui. Me apaixonei pelos garotinhos, pela relação entre mãe e filho de Jack e pela escrita. E só. O ambiente promete muito. A época em que se passa a narrativa (Segunda Guerra Mundial) dá aquele gostinho de quero mais, o mesmo quando li A Menina Que Roubava Livros, porém o cenário temporal vai se estender somente como algo secundário e totalmente descartável. A história poderia ter acontecido em outra época e mesmo assim daria para contá-la sem problema algum, só fazer uns reparinhos aqui e lá. 

   Quero destacar a escrita novamente porque ela é simplesmente magnífica! Em determinados momentos, a autora descrevia situações que nem eram pra tanto, mas o modo como a Clare posicionou os ocorridos é o que fez toda diferença!

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“Minha mãe era como a areia. Do tipo que o esquenta na praia quando você sai da água tremendo de frio. […] Ela também era como a areia que os arqueólogos escavam. Camadas e camadas de areia mantiveram os ossos dos dinossauros juntos por milhões de anos. E por mais que a areia fosse quente, árida e simples, os cientistas agradeciam por ela, porque sem a areia para manter os ossos no lugar, tudo teria se espalhado. Tudo teria desmoronado” (p. 26).

“Minha mãe tinha razão. Nossas vidas são todas entrelaçadas. É só uma questão de ligar os pontos. Continuo esperando que ela apareça em algum lugar dessa história” (p. 275).

Até a próxima!

 

  • Categorias: Ação e Aventura, Resenhas
  • [Resenha] Joyland, Stephen King

    18 abr

    joylandSinopse: Carolina do Norte, 1973. O universitário Devin Jones começa um trabalho temporário no parque Joyland, esperando esquecer a namorada que partiu seu coração. Mas é outra garota que acaba mudando seu mundo para sempre: a vítima de um serial killer. Linda Grey foi morta no parque há anos, e diz a lenda que seu espírito ainda assombra o trem fantasma. Não demora para que Devin embarque em sua própria investigação, tentando juntar as pontas soltas do caso. O assassino ainda está à solta, mas o espírito de Linda precisa ser libertado — e para isso Dev conta com a ajuda de Mike, um menino com um dom especial e uma doença séria. O destino de uma criança e a realidade sombria da vida vêm à tona neste eletrizante mistério sobre amar e perder, sobre crescer e envelhecersuma de letras logo — e sobre aqueles que sequer tiveram a chance de passar por essas experiências porque a morte lhes chegou cedo demais.

    Drama   |   240 páginas   |   Avaliação 3/5

    “As pessoas pensam que o primeiro amor é fofo e que fica ainda mais fofo depois que passa. (…) No entanto, essa primeira mágoa é sempre a mais dolorosa, a que demora mais para cicatrizar e a que deixa a cicatriz mais visível. O que há de fofo nisso?”

       Um garoto com o coração partido chamado Devin Jones é o narrador de Joyland. Ele é um aspirante a escritor e estuda na mesma universidade da garota a qual despedaçou seu coração, Wendy. Com a chegada das férias, Devin decide se candidatar a uma vaga para trabalhar no parque de diversões Joyland. A princípio, seu plano era permanecer lá somente durante as férias de verão, mas depois que Wendy terminou com ele, o garoto repensou na opção de ficar por lá no parque por mais tempo.

    “No verão de 1973, a ideia de amar qualquer outra pessoa que não fosse Wendy Keegan parecia totalmente impossível para mim.”

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    Não demorou muito para realmente gostar daquela rotina. Mas, no fundo, sentia que havia algo errado naquele lugar. Não era nenhum segredo que um dos brinquedos chamado Horror House era assombrado, pois haviam boatos de que o fantasma da garota que tinha sido assassinada anos atrás nesse brinquedo ainda estava por lá. Seu nome era Linda Gray. O mistério de sua morte não nunca foi descoberto. Não satisfeito com a história, Devin, com a ajuda de sua amiga, garota hollywood Erin, investiga a fundo as lacunas abertas dessa incógnita.

    “Algumas pessoas escondem suas verdadeiras personalidades querido. Às vezes, dá pra perceber que estão usando máscaras, mas nem sempre. Até pessoas com intuições poderosas podem ser enganadas.”

       Joyland desata a perspectiva de que monstros ou fantasmas não são necessários para se construir o mal na história. Pode parecer que até não seja um livro do Stephen King. E pode ser que você tenha pensado a mesma coisa. A meu ver, o autor conseguiu mais uma vez nos conduzir em seu universo. Todos os capítulos têm doses perfeitas para nos deixar abismados e grudados junto ao livro até ele terminar.

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Terror e Suspense
  • Thriller Psicológico: Ninguém, de Karen Alvares

    11 abr

    ninguem-karen-alvaresSinopse: Autora revelação no gênero de terror e do elogiado thriller Alameda dos Pesadelos apresenta Ninguém, onde um jovem hacker passa seus dias à procura de horrores na Deep Web, até que o próprio Horror finalmente o encontra. E as consequências são piores que a morte.

     

    Thriller (Conto)  |   9 páginas   |   Avaliação 3/5   |   Ação E-books Editora Draco

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       Oi, gente linda!! Em parceria com a Editora Draco, nós tivemos a oportunidade de ler contos publicados pela editora. Eles são intitulados Contos do Dragão e são totalmente gratuitos! Você pode estar conhecendo a coleção AQUI. Tem para todos os tipos de gosto \0/ Eu, como fã indomável de thriller, me atraí pela sinopse de Ninguém e resolvi trazer a resenha deste para vocês.

       Ninguém é um conto bem curtinho, de 9 páginas. Apesar disso, a autora não falha e faz uso certeiro das palavras, provocando, em apenas 9 páginas, uma angústia excruciante, assim como prometido na sinopse.

       O conto exprime a dor, em primeira pessoa, através dos pensamentos da jovem hacker. O que torna a narrativa ainda mais torturante. Não é uma história longa, então, como um conto, não há um desenvolvimento complexo dos personagens. O único momento que a autora sonda é o das consequências da hacker de ter se aventurado na deep web

       Gostei da leitura! Foi curta sim, mas senti como se estivesse lendo uma cena como a de qualquer outro romance bom (cheguei até a fazer caretas kkk). Recomendo este e os outros contos porque eles, pela sua brevidade, podem ser lidos com muita rapidez, sendo também fontes de inspiração para a criatividade de vocês, caso queiram escrever contos ou romances também. 

    Conheça outros Contos do Dragão. Baixe o SEU AQUI: 

    O Presente (Espelho), Karen Alvares: Conto de Karen Alvares da série Espelho, de “Inverso” e “Reverso”. É o aniversário de sua melhor amiga, e Daniel, pela primeira vez, não consegue escolher um presente. A sugestão de sua mãe (tempos desesperados requerem medidas desesperadas!) é diferente e meio embaraçosa, e agora ele precisa enfrentar o medo, um pai desconfiado e uma irmãzinha linguaruda antes de entregar o presente. Será que Megan vai gostar?

    Despertar de um Sonho (Metrópole), Melissa de Sá: Num continente oprimido por um governo autoritário, a adolescente Lícia tenta entender o mundo à sua volta ouvindo CDs antigos e procurando músicas e fotos nos restos da banida Internet.

    Música em Suas Tranças (Athelgard), Ana Lúcia Merege: Em “O Castelo das Águias”, o que acontece entre Anna e Kieran parece ser amor à primeira vista. No entanto, fazia tempo que o mago ansiava pela chegada da mulher dos seus sonhos. Esta narrativa revela aos leitores o momento em que ele ouviu falar dela pela primeira vez.

    Sobre Guerras e Deuses (Tempos de Sangue), Eduardo Kasse: Houve um tempo em que os homens acreditavam nos deuses e clamavam por vingança contra os invasores. E, naquela noite, um halo vermelho envolveu a Lua e os guerreiros da Britannia ganharam novo ânimo, guiados por uma Rainha celta. E a história foi escrita com espadas, lanças, escudos e presas.

    Arcano XV, Ivan Mizanzuk: Esta é a história de um homem que recebe visitas noturnas de uma entidade sobrenatural. No Tarô, o Arcano XV é a carta do Diabo, que representa os perigos existentes em reprimirmos os impulsos naturais. Mas como sabemos o que é verdadeiro? Seria a natureza capaz de mentir?

    The Schroedinger Show, Carlos Orsi: Quando a avançadíssima indústria cultural do futuro resolve explorar os paradoxos da mecânica quântica, toda a galáxia treme.

    Saltimbanco, Marcelo A. Galvão: Ao fazer um pedido especial aos deuses, um jovem artista descobre que até mesmo as divindades têm um senso de humor peculiar.

    A Toca das Fadas, Clara Madrigano: Jack e seu irmão encontraram a toca das fadas. Ou é o que Jack acredita. Mas conforme sua obsessão cresce, as coisas deixam de ser divertidas, e as fadas talvez não sejam doces como o mel de que se alimentam.

    Charlotte Sometimes, Fábio Fernandes: Um homem, uma noite, um bar. O que ele faz ali? Entre os vapores do gelo seco e as névoas da amnésia, Júlio busca uma resposta para tantas dúvidas que o assombram. Mas ele pode não gostar do que vai encontrar entre os escombros da sua memória – ou será a memória de outra pessoa?

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Terror e Suspense
  • [Resenha] Grande Irmão, Lionel Shriver

    4 abr

    grande-irmaoSinopse: Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo. Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como_Intrínseca a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas. 

    Drama  |  336 páginas  |  Avaliação 5/5

       Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão.  Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco quando se trata da magnífica Lionel.

    O fracasso permite a libertação.

       O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado dele. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

    O simples fato de fitá-lo parecia maldade.

       Para o espanto de Fletcher, seu cunhado (Edison) passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comuns para Edison gerava vasto ceticismo em Fletcher, criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Além disso, Pandora e sua família estavam desenvolvendo os mesmos hábitos de Edison, mesmo sem querer. No fundo, a mulher sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado.

    Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes.

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    Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos.

       Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Essa palavra, dentre todas usadas no livro, a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, é uma das que teve maior destaque e é exatamente assim como Edison se sente, e também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando o grande irmão quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada de Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. Foi algo forte que dispensou compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele. Não apenas pelo que fez com Edison. Todos têm vários pontos negativos, e me atrevo a dizer que nenhum personagem me conquistou.

    Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces.

       Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também  (esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”). Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

    Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento.

       Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando de um irmão mais velho de 175 K como uma mãe. O que mais me perturbou foi que Pandora e Edison haviam criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa, como se fosse agora seu dono. Uma vez ela ia se encontrar com seu marido para matar a saudade e chamou Edison para ir junto. A relação não estava nada saudável.

    Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados. (Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

       Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Como diz minha vó, foi de arrebentar a boca do balão.

    É uma história triste, mas não tem nenhum mistério (E que mistério, hein!).
    “Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha] Perdão, Leonard Peacock – Matthew Quick

    28 mar

    perdao-leonard-peacockSinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado porintrinseca filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

    Drama  |  224 páginas  |  Avaliação 2/5

       A maior motivação que tive ao escolher Perdão, Leonard Peacock para ler foi em função do impacto causado em mim pelo livro O Lado Bom da Vida de autoria também de Matthew Quick. Apesar deste último ter sido uma das minhas melhores leituras, o romance em questão não se aproximou ao produzir o mesmo efeito.

    ” – Estou ouvindo relatos de que você está agindo de forma estranha hoje. Isso é verdade?
      – O quê? Eu sempre sou estranho, certo?” (p. 86).

       Leonard é apenas mais um jovem infeliz com a vida que frequenta o ensino médio e possui poucas pessoas com quem conversar. As que ainda têm certa relação (seu vizinho idoso, um rapaz da escola que toca violino lindamente, uma garota cristã e seu professor de história), ele decidiu dizer “adeus” de uma maneira que faça com que elas se lembrem dele: entregando um presente especial.

    “Estou tentando fazer com que ele saiba o que estou prestes a fazer. Estou torcendo para que ele possa me salvar, apesar de saber que não pode” (p. 31).

       O garoto não havia contado seu plano de homicídio/suicídio para ninguém, logo, a atitude em relação aos presentes somente causou estranhamento. O plano seria homicídio/suicídio porque depois de entregar os presentes, Leonard assassinaria seu ex-melhor amigo e depois tiraria a própria vida

    “Eu meio que espero que ele se sinta responsável de algum modo, que se sinta tão arrependido que chegue a passar mal” (P. 84).

       As pessoas não foram escolhidas a dedo, final, Leonard não tinha amigos. Eles eram os únicos que, por alguma razão, mantinham contato com ele. A medida que lemos os encontros, uma parte da vida do garoto é revelada, assim o leitor se situa mais e mais na cabeça do garoto a fim de compreender o porquê dele tomar a decisão. E, mesmo depois de ter lido, as razões são praticamente as mesmas de muitas outras pessoas que escolhem o mesmo caminho, tanto na literatura quanto na vida real: depressão. Nem sempre a doença é diagnosticada; pode se apresentar e desenvolver a partir de vários motivos.

    “Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária” (p. 187).

       É muito difícil estabelecer consideração finais sobre Leonard. Claramente, mesmo entendendo o personagem, NADA justificam suas escolhas, mas é impossível não sentir aflição e o desejo de se tornar amigo dele a fim de tentar ajudá-lo mostrando que o fim da linha não vai acabar com seu sofrimento.    

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       Particularmente, a ideia é criativa, mas a leitura não é tão empolgante assim. Não tem muita “cabeça” por trás da história, nem lições que possam acrescentar. É aquela história: menino infeliz + presentes + matar + ser lembrado. O desfecho, assim também como o desenvolvimento do livro, não causa emoção. Quando terminei, fiquei sem saber o que pensar. Se valeu ou não valeu a pena lê-lo. Até agora, depois de alguns meses, eu ainda não sei. A impressão que ficou foi que o Leonard ainda está solto por aí, sem um ponto final.

    -> Leia também (temática parecida): 
    Precisamos Falar Sobre o Kevin (Intrínseca);
    Bela Maldade (Intrínseca);
    Dia de Eutanásia (Landscape);
    Por Lugares Incríveis (Seguinte – RESENHA);
    Ruptura (Nova Fronteira – RESENHA);
    A Playlist de Hayden (Novo Conceito – RESENHA);
    Objetos Cortantes (Intrínseca – RESENHA).

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha] Diários de um Vampiro: O Despertar, L.J. Smith #1

    24 mar

    Despertar_Capa 02Sinopse: Um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores nos anos 1990. ‘O Despertar’, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado originalmente em 1991, deu origem à série de televisão Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson, roteirista de Dawson’s Creek. A série tem estreia confirmada no Brasil em novembro, na Warner Channel — nos Estados Unidos a estreia acontece em 10 de setembro, no canal CW, o mesmo de Gossip Girl. Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela galera-recordvida amaldiçoada e eterna. Em Fell’s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos — e entre o amor e o perigo.

    Romance / Sobrenatural   |   240 páginas   |   Avaliação 1/5

       Último episódio de TVD lançou e nóis tá como? shahuhs Não sei quanto a vocês, mas eu acompanhei a série por uns 6 anos e vou te contar, nada me deixou mais decepcionada que aquele final Delena ¬.¬ (porque ou você é Delena ou você não assistiu direito. Assiste de novo kkkkkkkk). Maaaas acalme seu coração, pois não é spoiler nem nada, mas todo mundo sabe que os dois acabariam juntos, só que… Foi meio sem sal. Tivemos nosso desfecho e querendo ou não é isso aí. Claro que o final não desmerece a série como um todo. Me emocionei, chorei, diverti e me apaixonei com TVD. Vai deixar saudades! E para isso, por que não ler os livros que inspiraram a mesma? (confesso que li o primeiro há bastante tempo, o seriado não era tão queridinho como ele é hoje, e agora bateu uma vontadezinha de terminar de ler a saga. Aaah, mas preciso dizer que os livros são quase que completamente diferente da série.

       Em O Despertar, primeiro volume da série, temos como foco principal em Elena Gilbert, uma garota normal que se apaixona a primeira vista por Stefan Salvatore, um vampiro sanguinário (sqn). Particularmente, história é um pouco batida. Cheio de clichês e finais previsíveis. Tanto que na época que li, nada me deixou impressionada. O que me motivou a leitura foi o tamanho sucesso de Crepúsculo (não gostei do livro pela modinha, já tinha lido há tempos antes do filme estourar). E sim, os livros são maravilhosos! Mas convenhamos que aquele último volume foi ridículo. Volteeeemos aqui agora, porque o assunto de hoje é sobre Diários do Vampiro.

    diarios de um vampiro livro

    “Essa chama do Poder começara, despertando coisas dentro dele que seria melhor manter adormecidas. A necessidade da caça. O anseio pela caçada, pelo cheiro do medo e o  triunfo selvagem da morte. Já fazia anos – séculos – desde que ele sentira a necessidade com tanta força. Suas veias começaram a arder como fogo. E todos os seus pensamentos ficaram vermelhos: ele não conseguia pensar em nada, a não ser no gosto acobreado e quente, na vibração primordial do sangue” (P. 65).

       Gente, é impossível não comparar O Despertar com Crepúsculo. Então já adianto que você aí que conhece a história da Bella e do Edward vai ligar vários aspectos entre uma e outra. Temos a mocinha humana que começa a se interessar por um cara misterioso. Os dois se envolvem, mas ele não acha que é suficientemente bom para ela, tenta se distanciar, mas percebe que a ama. ASSIM mesmo! E a narrativa é em prol dessa situação. A escrita é boa, mas a história não é bem fluída. Como eu disse, é batida. A gente não se impressiona mais, já sabemos o que esperar.

    “A cada dia fica pior para mim. Sinto como se eu fosse um relógio ou coisa assim, com a corda cada vez mais apertada. Se eu não descobrir logo o que fazer, eu vou… Eu ia dizer ‘morrer'” (P. 80).

       Depois que a Elena e o Stefan se desenrolam, o livro praticamente acaba, porém com uma deixa: a chegada de Damon Salvatore! Rapaz, eles colocam o maior terror no Damon, e quando descobriram que ele chegou na cidade, ficaram enlouquecidos. E aí o livro termina. Por mais que eu não tenha gostado desse primeiro, hoje, depois de toda experiência com o seriado, sinto curiosidade de conhecer mais sobre os personagens pela visão de L.J. Smith, a criadora. Sem contar que o Damon é meu fav, deu nem pra sentir o gostinho da interação dele com a Elena 🙁

    “Mas agora a imagem dele enchia sua mente, o desejando tanto que era como uma dor física em seu corpo. Ela queria Stefan, queria seus braços em volta dela, queria estar segura com ele” (P. 134).

    Espero que tenham gostado da resenha. Conta sua experiência com TVD pra gente 🙂 Ia adorar ler!!

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