Categoria: Romance e Drama

[Resenha] Grande Irmão, Lionel Shriver

4 abr

grande-irmaoSinopse: Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo. Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como_Intrínseca a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas. 

Drama  |  336 páginas  |  Avaliação 5/5

   Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão.  Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco quando se trata da magnífica Lionel.

O fracasso permite a libertação.

   O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado dele. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

O simples fato de fitá-lo parecia maldade.

   Para o espanto de Fletcher, seu cunhado (Edison) passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comuns para Edison gerava vasto ceticismo em Fletcher, criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Além disso, Pandora e sua família estavam desenvolvendo os mesmos hábitos de Edison, mesmo sem querer. No fundo, a mulher sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado.

Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes.

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Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos.

   Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Essa palavra, dentre todas usadas no livro, a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, é uma das que teve maior destaque e é exatamente assim como Edison se sente, e também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando o grande irmão quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada de Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. Foi algo forte que dispensou compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele. Não apenas pelo que fez com Edison. Todos têm vários pontos negativos, e me atrevo a dizer que nenhum personagem me conquistou.

Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces.

   Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também  (esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”). Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento.

   Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando de um irmão mais velho de 175 K como uma mãe. O que mais me perturbou foi que Pandora e Edison haviam criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa, como se fosse agora seu dono. Uma vez ela ia se encontrar com seu marido para matar a saudade e chamou Edison para ir junto. A relação não estava nada saudável.

Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados. (Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

   Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Como diz minha vó, foi de arrebentar a boca do balão.

É uma história triste, mas não tem nenhum mistério (E que mistério, hein!).
“Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

Até a próxima!

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  • [Resenha] Perdão, Leonard Peacock – Matthew Quick

    28 mar

    perdao-leonard-peacockSinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado porintrinseca filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

    Drama  |  224 páginas  |  Avaliação 2/5

       A maior motivação que tive ao escolher Perdão, Leonard Peacock para ler foi em função do impacto causado em mim pelo livro O Lado Bom da Vida de autoria também de Matthew Quick. Apesar deste último ter sido uma das minhas melhores leituras, o romance em questão não se aproximou ao produzir o mesmo efeito.

    ” – Estou ouvindo relatos de que você está agindo de forma estranha hoje. Isso é verdade?
      – O quê? Eu sempre sou estranho, certo?” (p. 86).

       Leonard é apenas mais um jovem infeliz com a vida que frequenta o ensino médio e possui poucas pessoas com quem conversar. As que ainda têm certa relação (seu vizinho idoso, um rapaz da escola que toca violino lindamente, uma garota cristã e seu professor de história), ele decidiu dizer “adeus” de uma maneira que faça com que elas se lembrem dele: entregando um presente especial.

    “Estou tentando fazer com que ele saiba o que estou prestes a fazer. Estou torcendo para que ele possa me salvar, apesar de saber que não pode” (p. 31).

       O garoto não havia contado seu plano de homicídio/suicídio para ninguém, logo, a atitude em relação aos presentes somente causou estranhamento. O plano seria homicídio/suicídio porque depois de entregar os presentes, Leonard assassinaria seu ex-melhor amigo e depois tiraria a própria vida

    “Eu meio que espero que ele se sinta responsável de algum modo, que se sinta tão arrependido que chegue a passar mal” (P. 84).

       As pessoas não foram escolhidas a dedo, final, Leonard não tinha amigos. Eles eram os únicos que, por alguma razão, mantinham contato com ele. A medida que lemos os encontros, uma parte da vida do garoto é revelada, assim o leitor se situa mais e mais na cabeça do garoto a fim de compreender o porquê dele tomar a decisão. E, mesmo depois de ter lido, as razões são praticamente as mesmas de muitas outras pessoas que escolhem o mesmo caminho, tanto na literatura quanto na vida real: depressão. Nem sempre a doença é diagnosticada; pode se apresentar e desenvolver a partir de vários motivos.

    “Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária” (p. 187).

       É muito difícil estabelecer consideração finais sobre Leonard. Claramente, mesmo entendendo o personagem, NADA justificam suas escolhas, mas é impossível não sentir aflição e o desejo de se tornar amigo dele a fim de tentar ajudá-lo mostrando que o fim da linha não vai acabar com seu sofrimento.    

    perdao leonard peacock

       Particularmente, a ideia é criativa, mas a leitura não é tão empolgante assim. Não tem muita “cabeça” por trás da história, nem lições que possam acrescentar. É aquela história: menino infeliz + presentes + matar + ser lembrado. O desfecho, assim também como o desenvolvimento do livro, não causa emoção. Quando terminei, fiquei sem saber o que pensar. Se valeu ou não valeu a pena lê-lo. Até agora, depois de alguns meses, eu ainda não sei. A impressão que ficou foi que o Leonard ainda está solto por aí, sem um ponto final.

    -> Leia também (temática parecida): 
    Precisamos Falar Sobre o Kevin (Intrínseca);
    Bela Maldade (Intrínseca);
    Dia de Eutanásia (Landscape);
    Por Lugares Incríveis (Seguinte – RESENHA);
    Ruptura (Nova Fronteira – RESENHA);
    A Playlist de Hayden (Novo Conceito – RESENHA);
    Objetos Cortantes (Intrínseca – RESENHA).

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  • [Resenha] Diários de um Vampiro: O Despertar, L.J. Smith #1

    24 mar

    Despertar_Capa 02Sinopse: Um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores nos anos 1990. ‘O Despertar’, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado originalmente em 1991, deu origem à série de televisão Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson, roteirista de Dawson’s Creek. A série tem estreia confirmada no Brasil em novembro, na Warner Channel — nos Estados Unidos a estreia acontece em 10 de setembro, no canal CW, o mesmo de Gossip Girl. Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela galera-recordvida amaldiçoada e eterna. Em Fell’s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos — e entre o amor e o perigo.

    Romance / Sobrenatural   |   240 páginas   |   Avaliação 1/5

       Último episódio de TVD lançou e nóis tá como? shahuhs Não sei quanto a vocês, mas eu acompanhei a série por uns 6 anos e vou te contar, nada me deixou mais decepcionada que aquele final Delena ¬.¬ (porque ou você é Delena ou você não assistiu direito. Assiste de novo kkkkkkkk). Maaaas acalme seu coração, pois não é spoiler nem nada, mas todo mundo sabe que os dois acabariam juntos, só que… Foi meio sem sal. Tivemos nosso desfecho e querendo ou não é isso aí. Claro que o final não desmerece a série como um todo. Me emocionei, chorei, diverti e me apaixonei com TVD. Vai deixar saudades! E para isso, por que não ler os livros que inspiraram a mesma? (confesso que li o primeiro há bastante tempo, o seriado não era tão queridinho como ele é hoje, e agora bateu uma vontadezinha de terminar de ler a saga. Aaah, mas preciso dizer que os livros são quase que completamente diferente da série.

       Em O Despertar, primeiro volume da série, temos como foco principal em Elena Gilbert, uma garota normal que se apaixona a primeira vista por Stefan Salvatore, um vampiro sanguinário (sqn). Particularmente, história é um pouco batida. Cheio de clichês e finais previsíveis. Tanto que na época que li, nada me deixou impressionada. O que me motivou a leitura foi o tamanho sucesso de Crepúsculo (não gostei do livro pela modinha, já tinha lido há tempos antes do filme estourar). E sim, os livros são maravilhosos! Mas convenhamos que aquele último volume foi ridículo. Volteeeemos aqui agora, porque o assunto de hoje é sobre Diários do Vampiro.

    diarios de um vampiro livro

    “Essa chama do Poder começara, despertando coisas dentro dele que seria melhor manter adormecidas. A necessidade da caça. O anseio pela caçada, pelo cheiro do medo e o  triunfo selvagem da morte. Já fazia anos – séculos – desde que ele sentira a necessidade com tanta força. Suas veias começaram a arder como fogo. E todos os seus pensamentos ficaram vermelhos: ele não conseguia pensar em nada, a não ser no gosto acobreado e quente, na vibração primordial do sangue” (P. 65).

       Gente, é impossível não comparar O Despertar com Crepúsculo. Então já adianto que você aí que conhece a história da Bella e do Edward vai ligar vários aspectos entre uma e outra. Temos a mocinha humana que começa a se interessar por um cara misterioso. Os dois se envolvem, mas ele não acha que é suficientemente bom para ela, tenta se distanciar, mas percebe que a ama. ASSIM mesmo! E a narrativa é em prol dessa situação. A escrita é boa, mas a história não é bem fluída. Como eu disse, é batida. A gente não se impressiona mais, já sabemos o que esperar.

    “A cada dia fica pior para mim. Sinto como se eu fosse um relógio ou coisa assim, com a corda cada vez mais apertada. Se eu não descobrir logo o que fazer, eu vou… Eu ia dizer ‘morrer'” (P. 80).

       Depois que a Elena e o Stefan se desenrolam, o livro praticamente acaba, porém com uma deixa: a chegada de Damon Salvatore! Rapaz, eles colocam o maior terror no Damon, e quando descobriram que ele chegou na cidade, ficaram enlouquecidos. E aí o livro termina. Por mais que eu não tenha gostado desse primeiro, hoje, depois de toda experiência com o seriado, sinto curiosidade de conhecer mais sobre os personagens pela visão de L.J. Smith, a criadora. Sem contar que o Damon é meu fav, deu nem pra sentir o gostinho da interação dele com a Elena 🙁

    “Mas agora a imagem dele enchia sua mente, o desejando tanto que era como uma dor física em seu corpo. Ela queria Stefan, queria seus braços em volta dela, queria estar segura com ele” (P. 134).

    Espero que tenham gostado da resenha. Conta sua experiência com TVD pra gente 🙂 Ia adorar ler!!

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  • [Resenha] Um Perfeito Cavalheiro, Julia Quinn #3

    15 mar

    Um Perfeito Cavalheiro livroSinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois.editora-arqueiro Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível.

    Romance de Época   |   304 páginas   |   Avaliação 3/5

       Nessa incrível sequência, conhecemos mais um Bridgerton: Benedict. Com um sobrenome de peso, grandiosa fortuna e dono de um incrível sorriso, o cavalheiro é um dos mais cobiçados solteirões, assim também como alvo fácil para as mães de filhas também solteiras. Entretanto, nenhuma delas o interessava tanto quanto uma bela dama que habitava em suas memórias.

       Aconteceu de Benedict avistar uma mulher em um baile de máscaras e não houve dúvidas, se apaixonou a primeira vista (tenho lá minhas dúvidas quanto a esse amor que bate e olho e BAM!, sabe? Ainda mais nessa situação, onde todos estavam com os rostos cobertos). 

    “Ao longo dos últimos dois anos, a lembrança de Benedict Bridgerton havia sido a luz mais brilhante em sua vida sombria e triste” (p. 86).

       A moça era (tcha ra rammm! Acalma o coração, pois não é spoiler haha) Sophie Beckett. Fica claro para o leitor desde o início a identidade dessa nossa “Cinderela”. Dos poucos instantes que Benedict esteve com a moça, teve a certeza de que era ela A mulher. Aquela que poderia facilmente chamá-la de sua esposa. Mas como tudo não é um mar de rosas, Sophie teve de deixar o baile mais cedo e Benedict nunca mais a veria. Não teria nem como procurá-la, pois não havia visto seu rosto. Aquilo o assombra por anos.

    um perfeito cavalheiro

       Passados três longos anos após o ocorrido, a vida dele e a de Sophie se cruzam, mas não como em um conto de fadas. Ela era pobre e trabalhava para uma casa de um senhor rico. Alguns homens a estava azarando em uma ala afastada durante uma social na residência, Benedict estava lá e a defendeu. Por obra do destino, convidou a moça para trabalhar para ele. Como um cavalheiro, não poderia deixá-la sofrer em mãos erradas.

       Antes de chegarem até a cidade, tiveram que parar em um chalá particular do senhor Bridgerton por conta do mal tempo. Aqueles dias foram mágicos! Sophie sabia de quem se tratava. Ele era parte de seus sonhos, a única parte de suas lembranças que trazia felicidade e conforto. Ao mesmo tempo em que ansiava em lhe dizer que ela era a moça que o conheceu no baile, lhe partia o coração pensar que Benedict nunca teria nada com ela, uma criada.

    “Tratou-a como uma mulher, não como uma criada qualquer, e, até aquele exato instante, ela não se dera conta de quanto sentia falta de ser tratada como uma pessoa” (p. 142).

       Os dias no chalé foi a parte mais engraçada e divertida, no meu ponto de vista. Diferentemente dos dois volumes anteriores, os quais me pegava rindo e sorrindo a toa, Um Perfeito Cavalheiro agrega um teor mais dramático, chegando ao ponto do coração ficar apertado algumas vezes. A razão disso é justamente a trajetória de vida da garota. Quando muito nova, perdeu tudo o que tinha e foi jogada nas garras de uma madrasta que carregava puro ódio em seu coração. 

       O interessante é que, como o livro é uma releitura de Cinderela, sabemos ao certo o que esperar dele. E, obviamente, como a autora é nada mais nada menos que a nossa queridinha (<3) Julia Quinn, finais felizes são certeiros!

       Recomendo essa aventura desse irmão Bridgerton. A razão da minha nota não ter sido máxima como as que eu avaliei nos dois livros anteriores é porque gostei muito mais do clima clichezão de água com açúcar, aquelas bem humoradas que deixa a gente flutuando hahaha E, queridos leitores (baixou a Lady Whistledown agora), devo lhe dizer que esta blogueira amoleceu o coração e a culpa é totalmente, completamente, impetuosamente de Julia Quinn.

    Até a próxima!

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  • [Resenha] Métrica, Colleen Hoover

    13 fev

    metrica livroSinopse: O romance de estreia de Colleen Hoover, autora que viria a figurar na lista de best sellers do New York Times, apresenta uma família devastada por uma morte repentina. Após a perda inesperada do pai, Layken, de 18 anos, é obrigada a ser o suporte tanto da mãe quanto do irmão mais novo. Por fora, ela parece resiliente e tenaz; por dentro, entretanto, está perdendo as esperanças. Um rapaz transforma tudo isso: o vizinho de 21 anos, que se identifica com a realidade de Layken e parece entendê-la comogalera-record ninguém. A atração entre os dois é inevitável, mas talvez o destino não esteja pronto para aceitar esse amor.

     

    Drama   |   304 páginas   |   Avaliação 2/5

       Nunca tinha lido Colleen Hoover, mas já tinha um tempo que queria porque as críticas são muito positivas. Então, através de resenhas, escolhi Métrica como o primeirão! (hehe) Precisava saber o que fazia desse livro tão maravilhoso. Claro que eu não esperava que ele fosse perfeito, mas pelo menos tivesse algo que me deixasse pensando “Puxa, essa mulher é mesmo fantástica mesmo!”. Infelizmente não foi bem assim 🙁 Aprecio sua escrita (que por sinal é muito agradável!), só que… sabe aquele livro que você não engole? Quando você não consegue gostar dos personagens principais? (cara, como isso é ruim) Quando os diálogos são meio chatos? E quando dá aquela impressão que a autora tá forçando uma barrinha em algumas situações?

    s2

       Layken tem apenas 18 anos, mas a julgar pelos pesares da vida, parecia ter muito mais. Seu pai acabou falecendo deixando um buraco enorme e vazio dentro dela. Tão profundo que a deixou sensível demais. É um exagero, mas parecia que em todo capítulo ela chorava por alguma coisa. Seja por tristeza, seja por felicidade. 

    metrica resenha

       Ela, seu irmão caçula e sua mãe acabam de se mudar e já fazem amizade com os vizinhos: Will e seu irmão mais novo. A intensidade em que o clima entre Laken e Will crescia era tamanha que em pouquíssimo tempo (três dias!) os dois se apaixonaram perdidamente.

    “Não estou compreendendo esta ligação que sinto entre nós. Tudo parece tão rápido” (p. 57).

       Algo totalmente inesperado cruza o caminho deles e então os pombinhos se veem obrigados e viverem um romance tipo Romeo e Julieta, proibido. Claro que o motivo é consistente, entretanto, o ponto de medo e nervoso o qual eles sentiam da situação era gigante, deixando-os muito desconfortáveis. 

    “[…] a pessoa passa por cinco fases de luto ao perder um ente querido: negação, raiva, barganha, depressão e aceitação” (p. 124). 

       Já vou me explicar. Você que é fã do livro, não me odeie (hahahaha). Bom, vou começar falando sobre a relação Laken/Will (o foco todinho é mais concentrado nos dois e nas poesias) Não sei vocês, mas o que me deixa mais atraída em romances é quando vou vendo umas pitadinhas aqui, outras ali até então a fagulha acender e os mocinhos cederem. Essa coisa de romance a primeira vista não funciona comigo. BUT, vamos lá, se os dois se atraem a primeira vista, tá OK. O que NÃO rola é parecer que eles já estão jurando amor eterno em menos de 50 páginas! Não gostei nem um pouco disso.  Os dois mal se conhecem e tudo acontece em três dias. Já se amam em apenas três dias! Depois eles percebem que não podem ficar juntos e blá blá e então passam o livro inteiro nesse lenga lenga (mais por parte dele, é? Porque aqui, o Will é muito bunda mole, misericórdia) de amor proibido. Gente, me desculpe, não consegui lidar com eles. 

       Tentei compreender a situação dos dois. Eles são forçados pelo destino a amadurecerem mais rápido, só que tá na cara que eles não conseguem. O que eles sentem um pelo outro é tão forte que isso resulta em um monte de desentendimentos entre os dois, choro, motivos fracos de discussões… Enfim, só posso concluir que no final do livro eles acabam encontrando a si mesmos, o que me deixou mais aliviada em pensar que pelo menos alguma coisa que eu queria deu certo no livro. Pra não dizer que só falei mal (não me julguem hahaha), Métrica tem um grande potencial, pois senão não fez e estaria fazendo tanto sucesso. Só não senti essas fagulhas cintilantes como tanto resenham por aí. E, claro, se tivesse achado tão ruim assim, nem teria perdido meu tempo finalizando-o. Com certeza não! 

       Esse foi o ponto que mais me incomodou. Vocês também não gostaram de Métrica? Se sim, conta aí! Ou gostaram? Qual a opinião de vocês?

    Beijos e até a próxima!!!

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  • [Resenha] Amor Verdadeiro, Jude Deveraux

    6 fev

    amor-verdadeiroSinopse: Quando Alix Madsen está terminando a faculdade de arquitetura, Addy Kingsley, amiga de seus pais, morre. No testamento, a mulher estipula que a jovem tem direito a viver por um ano em sua encantadora casa do século XIX na ilha de Nantucket (Massachusetts), EUA. Ao chegar na propriedade dos Kingsley, percebe que não é má ideia passar uma temporada ali. Além de o lugar ser um sonho para qualquer arquiteto, ela conviverá com o charmoso Jared Montgomery Kingsley, dono de um dos mais importantes escritórios de arquitetura do país e sobrinho-neto de Addy, portanto, herdeiro natural da casa. O que Alix não imaginava era que tia Addy tinha um propósito muito específico essencia-planetapara ela quando a colocou naquele lugar: solucionar o desaparecimento de Valentina, uma das mulheres da família Kingsley, ocorrido cerca de dois séculos antes. 

    Romance/Sobrenatural  |  464 páginas  |  Avaliação 3 / 5

       Nuntucket fica em Massachusetts, uma ilha e foi palco de uma grande tragédia. A casa dos Kingsley foi o principal cenário do mistério. Caleb Kingsley, um antigo dono, morrera aos 33 anos de idade já fazia duzentos anos, e ainda continuava com a mesma aparência. Sim, ele é um fantasma, mas somente os homens da família chamados Jared Montgomery podiam enxerga-lo, além de outras poucas exceções, como a tia Addy, última dona da casa. Os filhos da família recebiam esse mesmo nome juntamente a um número a fim de indicar a sua geração.

       A tia Addy acabou falecendo deixando em seu testamento um último pedido: hospedar Alix Madsen, uma amiga da família, na sua casa durante um ano para que ela pudesse desvendar o que aconteceu entre Caleb e sua amada Valentina. Ao que tudo indicava, o fantasma estava preso ali porque, enquanto viva, Valentina havia sumido sem deixar nenhuma pista.

      “Ele tinha até 23 de junho, apenas algumas semanas, para descobrir o que havia acontecido com a mulher a quem amava tanto que nem a morte poderia separá-los.” P. 15-16

       Trazendo Alix até a casa poderia ser uma oportunidade para resolver todo esse mistério. Ela aceitou, mas o problema era que a garota não sabia o porquê do convite, somente concordou em ir porque sabia que Jared Montgomery (desta geração) ia muito para a casa na ilha descansar (ele morava em Nova York) e queria encontra-lo, pois, sendo estudante de arquitetura e Jared um famoso arquiteto (e incrivelmente bonito), viu uma oportunidade de aprender com ele.

      “Se eu tivesse permanecido com Valentina, nada disso teria acontecido […].” P. 351

       Alix e sua mãe Victoria iam sempre para a ilha quando a garota era menor. Enquanto passavam os dias lá, tia Addy percebeu que a pequena Alix falava com os ventos, por isso suspeitou de que ela conseguia também ver Caleb.

       Em meio a toda essa confusão, Alix, sem ter a consciência de que iria até lá para conversar com fantasmas, só tinha olhos para seus trabalhos de arquitetura e Jared Montgomery, que antes era um ídolo, acabou se tornando uma pessoa simples, normal. Ela enxergou o ser humano por trás de todo glamour da fama do homem. Um sentimento parecido foi também despertado em Jared. As mulheres com as quais se relacionavam eram elegantes, finas e ricas. Ele percebia que as mesmas buscavam mais status do que de fato o amor verdadeiro.

    amor-verdadeiro-resenha

       Amor Verdadeiro é narrado em terceira pessoa e prende com facilidade o leitor. Posso admitir que até eu encontrei dificuldade em assimilar tudo de uma vez ao ler a sinopse ou resenhas sobre o livro, mas isso não causa problema, pois o leitor vai se familiarizando com todos os segmentos da narrativa a medida que a história se sucede.

       O enredo não me cativou completamente de início, mas a leitura é muito gostosa. A autora soube criar expectativas que são atendidas. Tudo vai se encaixar no final. Acho interessante destacar que o livro precisava ser dividido em partes I e II, pois no primeiro momento da narrativa, tudo envolvia o desenrolar do romance entre Jared e Alix, somente após essa conciliação o segmento da história que envolve o mistério entre Caleb e Valentina é aprofundado.

    “Por um momento, os olhares de ambos se cruzaram, e pareceu a ela que centelhas lhe percorreram o corpo.” P. 141

       Um ponto negativo que me incomodou muito foi a capa, onde há um casal loiro de abraçando, sendo que os principais têm na verdade cabelo castanho e ruivo.

       Pelo mais e pelo menos, eu recomendo esse livro se você está a fim de ler um romance com uma pegada sobrenatural, mas sem aquele tipo de tensão muito “mágica” proporcionada pelas fantasias. Como a história se desenvolve em uma ilha, o clima é muito gostoso. Temos direito a passeios pelas praias, pelas ruas durante a manhã, quando o ventinho ainda é gelado, e também idas e vindas a casas de velhos amigos. Garanto risadas!

    Até a próxima!

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