Categoria: Romance e Drama

[Resenha + SORTEIO] Meu Nome é Albert, Ronaldo Viana S.

3 jun

meu_nome_albert_capa_em_baixaSinopse: Pessoas são diferentes. Pessoas são únicas. Pessoas têm nome e, neste livro, o nome Albert poderia ser substituído por John, Dimitri, Sarah, Giulia, poderia até ser Kurt ou qualquer outro. Poderia ser o seu, poderia ser o meu. Lendo este livro, é possível que você ria com Albert, que chore com ele. E é bem possível que você o ame. Talvez você se veja nesse garoto e queira entrar nas páginas desta obra e defendê-lo – ou defender-se – de seus agressores. Meu nome é Albert! é uma obra baseada em fatos reais. Nela o autor reviveu aeditora-novo-seculo própria história e a de milhares de pessoas ao redor do mundo, talvez até a sua. Uma história que é vivida por muitos, mas que não deveria pertencer a ninguém.

   Drama   |   256 páginas   |   Avaliação 5 / 5

   meu nome e albert ronaldoO autor vai nos levar a meditar acerca do bullying, fazendo pensar em como podemos prestar mais atenção às pessoas ao nosso redor. Além disso, vemos como que é difícil tanto a autoaceitação de quem está sob violência física e psicológica, quanto a aceitação daqueles que praticam (os bulliers). Devemos ter pena ou dar o troco nos igualando à eles? Qual é a vantagem em não revidar? Está certo sofrer calado? E quando não temos força ou vontade de pedir ajuda? E se o buller for alguém da própria família?

   O ano é 1974 e o cenário é uma pequena cidade na Alemanha. O pequeno alemão, Albert é o caçula da família. Com apenas 11 anos, já passava por situações preocupantes, as quais acarretava ao garoto dias carregados. Seus irmãos, Carol e Tom, sempre o tratavam com desprezo. Na escola, era alvo de zombarias. Pra piorar, até uma professora o fazia de chacota. Tudo isso por ter nascido com somente três dedos nas mãos. Essa fase de desenvolvimento é a que mais deixa marcas em alguém, e fico preocupada em como crianças crescem passando por isso. Nenhuma deveria.

“Bella realmente estava muito preocupada com Albert e achava que estava perdendo o filho para um mundo desconhecido, solitário e, pior, talvez sem volta” (p. 22).

meu nome é albert

   Os momentos de paz que ele tinha era quando passava o tempo no jardim de sua casa. Lá, ele conversava com seu melhor amigo (imaginário), Kurt. Sua mãe, preocupada com a solidão dele, buscou ajuda com a igreja, a escola e um médico psicólogo. Demorou muito tempo até, enfim, se dar conta que seu filho sofria bullying na escola e, infelizmente, até dentro de casa, pela própria família.

“Aquele jardim era o refúgio de Albert e o seu esconderijo seguro, ao passo que Kurt era o amigo que o mantinha vivo e acalentava a esperança de dias melhores” (p. 27).

   Um fato interessante é que alguns acontecidos com Albert foram inspirados na própria vida do autor, Ronaldo Viana S.  Ele escreveu uma história que pode ajudar a compreender e a obter soluções sobre o bullying tanto no ambiente escolar quanto familiar. 

“- Eles colocam apelidos feios em mim, implicam todo dia comigo e me agridem. Como vou amar essas pessoas?
– Mas não são essas pessoas que precisam de amor, Albert?” (p. 44).

meu nome e albert

   Meu Nome é Albert me fez refletir diversas coisas. Para apresentá-lo, vou logo dizendo para não se assustarem, pois, apesar do gênero dramático e o enredo aparentemente pesado, a narrativa se desenvolve de maneira delicada, a fim de não provocar aquela energia densa. É o mesmo sentimento que fluiu em mim ao ler Juntando os Pedaços, de Jennifer Niven. A história externa tal sensibilidade ao explorar o assunto, o que nos faz simpatizar com Albert e, de certa maneira, nos vemos nele. Albert é só mais um garoto oprimido. Mas poderia ser qualquer outra pessoa. Poderia ser você. Poderia ser eu.

   Nesse livro, você vai encontrar todas as respostas para as perguntas apontadas na introdução. Não deixe para amanhã para descobrir como termina a história de Albert (e também a sua, a nossa).

SORTEIO

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sorteio de livro

Até a próxima!

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  • [Resenha] A Nova República, Lionel Shriver

    20 maio

    a nova republicaSinopse: Há anos um grupo separatista da região de Barba, em Portugal, explode bombas ao redor do mundo como estratégia para conseguir a sua independência. A comunidade internacional vive aterrorizada e a autodeterminação de Barba é um dos temas centrais da política mundial. A capital, Cinzeiro, abriga jornalistas de toda parte, entre eles o recém chegado Edgar Kellogg – advogado bem-sucedido que trocou a carreira em Nova York pelo entusiasmo e a imprevisibilidade do jornalismo. Hostilizado na infância por ser gordo, construiu uma_Intrínseca idolatria por personagens magnificentes. Quando lhe oferecem uma vaga de correspondente em Barba, península ficcional de Portugal onde surgiu um movimento terrorista, Edgar não hesita. Enviado para substituir o excepcional repórter desaparecido Barrington Saddler, o novato reconhece nesse homem grandioso a figura que deseja imitar. 

    Ficção   |   384 páginas   |   Avaliação 5/5

       Esse, dentre os seis livros lançados no Brasil da autora, é o mais recente. Não por ordem de escrita, e sim por lançamento. Originalmente, A Nova República foi concluído em 1998, mas não publicado, pois, por abordar um assunto tão intrincado na época como terrorismo, a autora não conseguiu seduzir o público. Ainda mais depois dos atentados de 11 de setembro. O romance teve que ficar mais alguns anos na gaveta até, enfim, ser publicado em 2012. No Brasil, em 2015.

       O livro flui com a presença de Edgar Kellogg narrando em terceira pessoa. O homem estava em seus quarenta e poucos, tinha uma vida tranquila financeiramente trabalhando no ramo da advocacia e uma namorada. Ganhava muito bem, porém isso não era seu objetivo na vida. Queria ter emoção, viver uma aventura, se tornar admirado. Para isso, nem ao menos se importou em colocar na balança o que perderia se largasse tudo em busca de seu sonho. Logo, entrou em contato com um amigo da época da faculdade e este o indicou pra uma entrevista em um jornal, National Records. Aceitou por uma merreca o emprego de correspondente substituto. E sua primeira parada seria em Barba, uma península fictícia de Portugal onde a população é pobre, ingrata e alvo de atentados terroristas. As pessoas queriam mais era sair do lugar do que de fato irem para lá.

     “Não existe nenhuma “verdade” global lá fora. Só um punhado de pequenos fatos banais, dissociados” (p. 25).

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       Edgar foi obeso em sua juventude. Em um misto de raiva e frustração, obteve sucesso na perda de peso, entretanto, o trauma fora tanto que deixou algumas cicatrizes profundas em sua alma. Ele se criticava. Sua auto estima era tão diminuto, que qualquer pessoa era melhor do que ele. Por esse motivo, teve algumas fantasias onde, em sua cabeça, idolatrava um amigo da faculdade como se fosse seu ídolo. Qualquer um que aparentasse ser mais seguro que Kellog, era melhor que Kellog.

    “Provavelmente, era mais interessante adorar que ser adorado, mais arrebatador, mais cativante e, de um modo ou de outro, muito menos assustador” (p. 375).

    “Edgar reconheceu sua vida como um ato ininterrupto de redução” (p. 373).

       Chegando em Barba, conheceu seus companheiros de trabalho. Foi inundado por enaltecimentos dos colegas por Barrington. Tal homem era adorado ali. Bear, como era chamado, estava no cargo antes de Edgar cobrindo o movimento terrorista, e sumiu do nada. Ninguém sabe se havia fugido, sido estripado, assassinado… Acontece que Bear era endeusado aparentemente por (quase) todos ali. Com isso, Edgar sentiu o tamanho da influência que o homem exercia, e sem ao menos conhecê-lo, o invejou. Durante toda sua estadia, ele foi assombrado por seu fantasma. Até sua alucinação o intimidava.  

     “[…] se Barrington não o fizesse, parecia uma coisa sem graça” (p. 274).

       A casa em que hospedou era a mesma que Barrington havia ficado. Ali descobriu muita coisa, coisas as quais teria sido melhor se permanecessem escondidas. Fez Edgar tomar rumos que certamente se arrependeria mais tarde. O peso da culpa o encobriria, sem haver a possibilidade de voltar atrás. Péssimo para ele, mas excitante para os moradores de Barba.

     “Edgar saiu forta afora. Vum, o vento esbofetou no rosto, com o conhecimento certeiro de que, ao passar por aquela soleira, ele também havia cruzado um limite para o qual poderia ser difícil voltar” (p. 228).

    “Naquela noite, muitos seriam os barbenses entediados que se alegrariam em segredo por estar finalmente acontecendo alguma coisa naquele lixo de Cinzeiro” (p. 356).

       Agora, o que eu achei? Pelo tamanho da resenha já deu pra perceber que gostei pouco hahah Quando a gente gosta, não tem como mesmo… Mais uma vez Lionel Shriver me intrigou. SEMPRE me descabelo enquanto leio seus livros. Esse foi o que teve a pegada mais leve, apesar do tema parecer “chato” e duvidoso. Sei que o assunto pode aparentar um tanto redundante para os fãs de leitura que preferem levar como hobbie, mas deem uma chance para a autora. Seus livros nos permite pensar. Não é uma escrita simples, mas também não é tão rebuscada. 

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       Imagino aqui comigo como posso convencer vocês de lerem… Ela é a autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, livro aclamado pela crítica. Até foi feito uma adaptação cinematográfica. Seu jeito inteligente de organizar pensamentos na escrita é de deixar a gente de boca aberta. Em todo livro ela faz sacadas geniais e os desfechos SEMPRE impressionam. Podem ter certeza de que o final nunca vai ser algo que vocês esperam.

    Até a próxima!

  • Categorias: Resenhas, Romance e Drama
  • [Resenha|ATUALIZAÇÃO 11/08/17] Leia Online ou Baixe 79 Park Avenue, Harold Robbins

    8 maio

    79 park avenue resenhaSinopse: Uma investigação sobre a elegante agência de modelos na Park Avenue, em Nova York, revela que por trás daquela fachada, lindas jovens eram levadas à prostituição e exploradas por um sindicato de gangsters. Na direção da agência está Maryann Flood, a inesquecível call-girl com um código de ética que a violência do padrasto, o reformatório e a vida na prostituição não haviam transformado num ser humano de segunda classe. Levada aologo nova cultural banco dos réus no Tribunal do Júri, Maryann vive uma estranha contradição: deseja sucesso à acusação, pois Mike Keyes, o Promotor, foi o único homem a quem amou em toda vida.

     

    Drama/Romance   |   310 páginas   |   Avaliação   2 / 5

       Minha mãe leu esse livro em 1987 e desde então ele ficou guardado. Enquanto estava organizando meus livros, o encontrei e resolvi que um dia leria. Ela disse que se parecia muito com Sidney Sheldon, e até achei algumas resenhas onde as pessoas diziam a mesma coisa. Acontece que, na minha humilde opinião, 79 Park Avenue poderia ter ficado na gaveta.

       Li que esse livro tinha um quê de Sheldon só que mais ousado, e gente, isso não faz sentido algum. Por mais que a sinopse seja instigante e provocadora devido a seus temas polêmicos, o considero bem fraco. Os diálogos não form sujos, agressivos ou marcantes, não teve nenhuma cena de sexo e tampouco um andamento na proposta do livro. Essas são umas das marcas nas obras de Sidney Sheldon. 

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       A proposta que a trama fundamenta é a expectativa de uma audiência a qual Maryann Flood está sendo acusada de orquestrar e proteger um esquema de prostituição de jovens garotas. Acontece que, para ela ter chegado até ali, ocorreram inúmeros fatores em sua vida, então o autor  volta desde sua adolescência a fim de explicar toda sua trajetória dentro do mundo da prostituição. O curioso é que o leitor vai descobrir que não foi escolha dela estar na direção de todo esquema, o que até provocará um leve sentimento de comiseração em relação a Maryann.

       O julgamento já está a caminho, mas o mesmo não tem desenvolvimento. Durante o livro inteiro nós somos guiados ao passado da mulher. Quando garota, Maryann só tinha sua mãe e um padrasto canalha. Ela o provocava bastante, pois somente a sua mãe trabalhava para poder sustentar os três. A garota era descrita como extremamente bela, o que a possibilitou de tirar certas vantagens de homens ricos. Diante de todos os olhares que ela tinha, só um a interessava: o de Mike Keyes. Desde que se conheceram, ele fora o primeiro homem que a enxergou como quem verdadeiramente era. Uma mulher que desejava o mesmo que qualquer outra. Família, lar e tranquilidade. A viu desprovida de todo luxo que a encobertava. Viu seu coração. O mais doloroso era que o homem exercia a profissão de advocacia e era ele quem a acusava.

    “Sentia, porém, que precisara mais de mim nessa época do que em qualquer outra de sua vida. E minha conclusão única era de que eu lhe havia falhado” (P. 150).

       Entretanto, o romance entre eles sempre fora muito conturbado. Ross, um amigo de longa data, tinha uma paixão louca por Maryann, o que causou grandes problemas para ela, pois, por mais que quisesse seguir seus caminhos, o homem a perseguia. Não vou defende-la também. Ela fez muitas coisas idiotas e poderia ter trilhado caminhos diferentes, mas para tudo tem uma escolha e suas escolhas não foram tão louváveis, por mais que seu passado tenha realmente sido difícil.

    ” – Você é o tipo de problema que eu gosto” (P. 193).

       Nenhum personagem me deixou realmente entusiasmada. Só o Mike, que foi a melhor pessoa do livro. Uma pena que as cenas em que ele aparecia foram poucas. Nas demais, eram sempre com Maryann. Os capítulos não são tão longos, fluem bem rápidos, apesar de não germinar aquela inquietação que faz nós leitores nos animarmos de abrir um livro. No mais, o considero bem fraco mesmo. Quando o autor termina de expor a caminhada da vida da mulher até o momento em que ela se encontra como réu, o livro basicamente termina. Ou seja, temos uma conclusão acerca de seu julgamento, mas o tempo todinho que percorre a obra é o passado. Então, basicamente, o porquê da obra é assimilar os fatos passados para entender a razão de Maryann Flood ter sido presa. Não espere um mistério astuto.

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       Estava procurando na net mais sobre o livro e percebi que o mesmo não estava disponível nos sites de compras online e busquei essa outra opção. No link acima você pode BAIXAR ou ler ONLINE mesmo. Espero ter ajudado!

    Até a próxima <3

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  • Opinando Sobre: Os Segredos de Colin Bridgerton, Julia Quinn #4

    1 maio

    os segredos de colin bridgerton capaSinopse: Há muitos anos Penelope Featherington frequenta a casa dos Bridgertons. E há muitos anos alimenta uma paixão secreta por Colin, irmão de sua melhor amiga e um dos solteiros mais encantadores e arredios de Londres. Quando ele retorna de uma de suas longas viagens ao exterior, Penelope descobre seu maior segredo por acaso e chega à conclusão de que tudo o que pensava sobre seu objeto de desejo talvez não seja verdade. Ele, por sua vez, também tem uma surpresa: Penelope se transformou, de uma jovem sem graça ignorada por toda a alta sociedade, numa mulher dona de um senso deeditora-arqueiro humor afiado e de uma beleza incomum. Quando fica sabendo que ela também guarda um segredo ainda maior que o seu, precisa decidir se Penelope é sua maior ameaça ou a promessa de um final feliz.

    Romance de época   |   336 páginas   |   Avaliação 4 / 5

    Vale a Pena? 

       Mais um romance de Julia Quinn que diz respeito a uma das famílias mais amadas dos últimos tempos: os Bridgertons! Quem hoje não conhece esses irmãos, não sabe o que está perdendo! Eles me fizeram amar o romance de época, ter outra visão acerca do gênero. Como experiência pessoal, devo dizer que, se você quer dar espaço a novos tipos de leitura e não sabe por onde começar, comece pelos Bridgertons. Para uma amante de terror/drama, a série impressiona fácil! Quando você menos esperar, já vai estar completando a coleção! E claro, não é enjoativo ler um atrás do outro, afinal, são 9 livros no total. Mas, para dar aquela quebrada, é legal intercalar outros livros dentro do rumo de leitura dos 9 queridinhos rsrs. 

       Com Os Segredos de Colin Bridgerton não foi diferente. Ele é o quarto livro e ainda não me cansei dessa família (oh god!!). É isso, gente. Não sei se tem como enjoar. Eles são tão amáveis e tem cada personalidade… Nesse volume, nós conhecemos mais sobre a vida de Colin e, claro, Penelope. A gordinha apagada a qual ninguém se interessava. É óbvio que aqui ela tem seus destaques e, como todo “viveram felizes para sempre“, ela encontra seu cavalheiro encantado. Vocês nem imaginam quem seja, não é? hahah 

    “No fundo, ela sabia quem era: uma garota inteligente, generosa e muitas vezes até mesmo engraçada, mas, de alguma forma, sua personalidade sempre se perdia em algum lugar a caminho da boca e ela acabava dizendo a coisa errada ou – o que era mais comum – nada” (p. 12).

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       Não estou me aprofundando porque não há uma pessoa que já não tenha lido sobre a série e imagino que devam estar um pouco cansados de baterem na mesma tecla. Mas gente, o que não posso deixar de falar é que esse quarto volume está tão maravilhoso quanto os outros, só não dei nota máxima porque meu favorito continua sendo o segundo livro, O Visconde Que Me Amava <3

       Se você já leu, não está perdendo nada haha Mas se você ainda não leu, dê uma chance a Julia Quinn, independente do seu estilo favorito de leitura. Está a fim de se impressionar? Levar um tapa na cara e um “nunca te falaram pra não julgarem pelas aparências?”. Então, meio que foi isso que aconteceu comigo. Não dava nada para romances de época, e a autora me mudou. Sou bem mais receptiva hoje em relação ao gênero. 

       Até a próxima!

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  • [Resenha] Grande Irmão, Lionel Shriver

    4 abr

    grande-irmaoSinopse: Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo. Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como_Intrínseca a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas. 

    Drama  |  336 páginas  |  Avaliação 5/5

       Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão.  Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco quando se trata da magnífica Lionel.

    O fracasso permite a libertação.

       O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado dele. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

    O simples fato de fitá-lo parecia maldade.

       Para o espanto de Fletcher, seu cunhado (Edison) passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comuns para Edison gerava vasto ceticismo em Fletcher, criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Além disso, Pandora e sua família estavam desenvolvendo os mesmos hábitos de Edison, mesmo sem querer. No fundo, a mulher sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado.

    Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes.

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    Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos.

       Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Essa palavra, dentre todas usadas no livro, a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, é uma das que teve maior destaque e é exatamente assim como Edison se sente, e também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando o grande irmão quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada de Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. Foi algo forte que dispensou compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele. Não apenas pelo que fez com Edison. Todos têm vários pontos negativos, e me atrevo a dizer que nenhum personagem me conquistou.

    Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces.

       Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também  (esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”). Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

    Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento.

       Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando de um irmão mais velho de 175 K como uma mãe. O que mais me perturbou foi que Pandora e Edison haviam criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa, como se fosse agora seu dono. Uma vez ela ia se encontrar com seu marido para matar a saudade e chamou Edison para ir junto. A relação não estava nada saudável.

    Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados. (Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

       Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Como diz minha vó, foi de arrebentar a boca do balão.

    É uma história triste, mas não tem nenhum mistério (E que mistério, hein!).
    “Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

    Até a próxima!

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  • [Resenha] Perdão, Leonard Peacock – Matthew Quick

    28 mar

    perdao-leonard-peacockSinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado porintrinseca filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

    Drama  |  224 páginas  |  Avaliação 2/5

       A maior motivação que tive ao escolher Perdão, Leonard Peacock para ler foi em função do impacto causado em mim pelo livro O Lado Bom da Vida de autoria também de Matthew Quick. Apesar deste último ter sido uma das minhas melhores leituras, o romance em questão não se aproximou ao produzir o mesmo efeito.

    ” – Estou ouvindo relatos de que você está agindo de forma estranha hoje. Isso é verdade?
      – O quê? Eu sempre sou estranho, certo?” (p. 86).

       Leonard é apenas mais um jovem infeliz com a vida que frequenta o ensino médio e possui poucas pessoas com quem conversar. As que ainda têm certa relação (seu vizinho idoso, um rapaz da escola que toca violino lindamente, uma garota cristã e seu professor de história), ele decidiu dizer “adeus” de uma maneira que faça com que elas se lembrem dele: entregando um presente especial.

    “Estou tentando fazer com que ele saiba o que estou prestes a fazer. Estou torcendo para que ele possa me salvar, apesar de saber que não pode” (p. 31).

       O garoto não havia contado seu plano de homicídio/suicídio para ninguém, logo, a atitude em relação aos presentes somente causou estranhamento. O plano seria homicídio/suicídio porque depois de entregar os presentes, Leonard assassinaria seu ex-melhor amigo e depois tiraria a própria vida

    “Eu meio que espero que ele se sinta responsável de algum modo, que se sinta tão arrependido que chegue a passar mal” (P. 84).

       As pessoas não foram escolhidas a dedo, final, Leonard não tinha amigos. Eles eram os únicos que, por alguma razão, mantinham contato com ele. A medida que lemos os encontros, uma parte da vida do garoto é revelada, assim o leitor se situa mais e mais na cabeça do garoto a fim de compreender o porquê dele tomar a decisão. E, mesmo depois de ter lido, as razões são praticamente as mesmas de muitas outras pessoas que escolhem o mesmo caminho, tanto na literatura quanto na vida real: depressão. Nem sempre a doença é diagnosticada; pode se apresentar e desenvolver a partir de vários motivos.

    “Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária” (p. 187).

       É muito difícil estabelecer consideração finais sobre Leonard. Claramente, mesmo entendendo o personagem, NADA justificam suas escolhas, mas é impossível não sentir aflição e o desejo de se tornar amigo dele a fim de tentar ajudá-lo mostrando que o fim da linha não vai acabar com seu sofrimento.    

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       Particularmente, a ideia é criativa, mas a leitura não é tão empolgante assim. Não tem muita “cabeça” por trás da história, nem lições que possam acrescentar. É aquela história: menino infeliz + presentes + matar + ser lembrado. O desfecho, assim também como o desenvolvimento do livro, não causa emoção. Quando terminei, fiquei sem saber o que pensar. Se valeu ou não valeu a pena lê-lo. Até agora, depois de alguns meses, eu ainda não sei. A impressão que ficou foi que o Leonard ainda está solto por aí, sem um ponto final.

    -> Leia também (temática parecida): 
    Precisamos Falar Sobre o Kevin (Intrínseca);
    Bela Maldade (Intrínseca);
    Dia de Eutanásia (Landscape);
    Por Lugares Incríveis (Seguinte – RESENHA);
    Ruptura (Nova Fronteira – RESENHA);
    A Playlist de Hayden (Novo Conceito – RESENHA);
    Objetos Cortantes (Intrínseca – RESENHA).

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