[Resenha] Grande Irmão, Lionel Shriver

4 abr

grande-irmaoSinopse: Pandora é uma empreendedora bem-sucedida que vive em Iowa com o marido, Fletcher, um homem de temperamento irritadiço, que nunca consegue relaxar. Edison, irmão de Pandora, antes um conhecido pianista de jazz em Nova York, está completamente falido, sem ter onde morar. Contrariando o marido, Pandora envia uma passagem aérea para o irmão e abre sua casa para hospedá-lo. Depois de quatro anos sem se encontrarem, ela quase não o reconhece quando vai buscá-lo no aeroporto e depara com um homem mais de cem quilos acima do peso. Em casa, os hábitos desleixados de Edison criam um enorme desconforto para Fletcher, até que Pandora decide se comprometer com o emagrecimento do irmão e abdica de tudo para ajudá-lo. Construído com a inteligência e a força impactante de Lionel Shriver, Grande irmão é um livro sobre um assunto ao mesmo tempo social e dolorosamente íntimo. Shriver mostra, sem rodeios, como_Intrínseca a obesidade grave pode atingir uma família de modo devastador e nos faz questionar se é possível proteger as pessoas que amamos delas mesmas. 

Drama  |  336 páginas  |  Avaliação 5/5

   Com o mesmo estilo de sempre, Lionel Shriver, autora de Precisamos Falar Sobre o Kevin, nos leva a um universo crítico, incômodo e ácido ao abordar a obesidade como tema central em Grande Irmão.  Preparem-se leitores, pois não posso escrever pouco quando se trata da magnífica Lionel.

O fracasso permite a libertação.

   O livro é narrado por Pandora, uma empresária bem sucedida que mora em Iowa nos Estados Unidos com seu marido Fletcher e dois enteados: Tanner e Cody. De um dia para outro descobre por Slack, um amigo de seu irmão mais velho Edison, que o mesmo está passando por uma situação difícil em Nova York. Apesar dos protestos de Fletcher, Pandora o chama para morar com eles quatro por um tempo até as coisas se normalizarem para o lado dele. O problema (problemão) que a pegou de surpresa foi quando se dirigiu ao aeroporto para recebê-lo. Notou que o irmão havia engordado radicalmente nesses quatro anos em que os dois não se encontraram. Foi um pouco constrangedor o momento, pois ela teve que ignorar a circunstância mostrando-se educada.

O simples fato de fitá-lo parecia maldade.

   Para o espanto de Fletcher, seu cunhado (Edison) passara mais tempo que desejara em sua casa. Os hábitos tão comuns para Edison gerava vasto ceticismo em Fletcher, criando uma barreira entre a transparência e a hipocrisia. Além disso, Pandora e sua família estavam desenvolvendo os mesmos hábitos de Edison, mesmo sem querer. No fundo, a mulher sabia que ninguém estava sendo sincero com ninguém, pois ao invés dela ativar seu conteúdo sincero afetivo, fingia que não havia nada de errado.

Ele adora cuspir informações e não era mau contador de histórias. Mas era capaz de falar o dia inteiro sem que, no final, alguém o conhecesse melhor do que antes.

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Sentir fome quando se está com excesso de peso é uma forma nitidamente burguesa de sofrimento, quando ninguém mais tem pena de nós, é difícil termos pena de nós mesmos.

   Fletcher já havia exteriorizado várias vezes sua falta de complacência mediante a situação presente. Essa palavra, dentre todas usadas no livro, a “autocomiseração”, que significa ter pena de si mesmo, é uma das que teve maior destaque e é exatamente assim como Edison se sente, e também sua irmã em relação a ele. O momento em que isso chegou ao extremo foi quando o grande irmão quebrou sem querer uma cadeira feita e carinhosamente apelidada de Bumerangue por Fletcher. A cena em que sucede a humilhação foi algo que Lionel transmitiu com muita destreza. Foi algo forte que dispensou compaixão. Fletcher se esbravejou como nunca. Desde o começo, não me simpatizei com ele. Não apenas pelo que fez com Edison. Todos têm vários pontos negativos, e me atrevo a dizer que nenhum personagem me conquistou.

Eu gostaria que ele houvesse pretendido dizer que não queria continuar a se matar de tanto comer. Mas a interpretação alternativa era mais provável: a de que o consumo exagerado e sistemático fosse proposital – um suicídio em câmera lenta, por meio de doces.

   Assim, um pouco impensável, Edison aposta com Fletcher comer um bolo inteiro caso ele não emagrecesse. Nessa altura, Fletcher já não queria mais Edison morando lá, e este já queria ir embora também  (esse assunto diz respeito a segunda parte do livro intitulada “II : MENOS”). Diante disso, Pandora sentiu comiseração por seu irmão falido e prometeu que moraria com ele em outro lugar por um ano e o ajudaria em sua jornada rumo ao emagrecimento. Ela sabia que estava prestes a arruinar seu casamento, mesmo assim o fez. E Edison, que não se dava bem com Fletcher, se mostrou egoísta deixando a mulher abandonar sua família.

Enquanto nos afastávamos, pensei nesta disparidade: Edison estava apostando o orgulho, Fletcher estava apostando um bolo e eu estava apostando meu casamento.

   Pode-se deduzir que os dias que se sucederam não foram nada fáceis para Fletcher, longe da esposa; Edison, tomando shakes e fazendo caminhas; e Pandora, cuidando de um irmão mais velho de 175 K como uma mãe. O que mais me perturbou foi que Pandora e Edison haviam criado uma intimidade de grande proporção. Eles estavam muito ligados. Edison sentia muitos ciúmes de Pandora quando ela saía de casa, como se fosse agora seu dono. Uma vez ela ia se encontrar com seu marido para matar a saudade e chamou Edison para ir junto. A relação não estava nada saudável.

Engraçado, a única coisa que me incomodou um pouco foi ele não ter corrigido a suposição errônea de Novacek de que éramos casados. (Imagino o sorrisinho de Edison ao perceber que Novacek os induziu como casal).

   Temos por final um desfecho incrivelmente subversivo, incômodo, maçante, imponderável. Uma história contada por Pandora. Como diz minha vó, foi de arrebentar a boca do balão.

É uma história triste, mas não tem nenhum mistério (E que mistério, hein!).
“Essa era a pergunta do ovo ou da galinha que eu não tinha conseguido dissecar. Edison estava gordo por estar deprimido, ou deprimido por estar gordo?”.

Até a próxima!

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  • [Resenha] Perdão, Leonard Peacock – Matthew Quick

    28 mar

    perdao-leonard-peacockSinopse: Hoje é o aniversário de Leonard Peacock. Também é o dia em que ele saiu de casa com uma arma na mochila. Porque é hoje que ele vai matar o ex-melhor amigo e depois se suicidar com a P-38 que foi do avô, a pistola do Reich. Mas antes ele quer encontrar e se despedir das quatro pessoas mais importantes de sua vida: Walt, o vizinho obcecado porintrinseca filmes de Humphrey Bogart; Baback, que estuda na mesma escola que ele e é um virtuose do violino; Lauren, a garota cristã de quem ele gosta, e Herr Silverman, o professor que está agora ensinando à turma sobre o Holocausto. Encontro após encontro, conversando com cada uma dessas pessoas, o jovem ao poucos revela seus segredos, mas o relógio não para: até o fim do dia Leonard estará morto.

    Drama  |  224 páginas  |  Avaliação 2/5

       A maior motivação que tive ao escolher Perdão, Leonard Peacock para ler foi em função do impacto causado em mim pelo livro O Lado Bom da Vida de autoria também de Matthew Quick. Apesar deste último ter sido uma das minhas melhores leituras, o romance em questão não se aproximou ao produzir o mesmo efeito.

    ” – Estou ouvindo relatos de que você está agindo de forma estranha hoje. Isso é verdade?
      – O quê? Eu sempre sou estranho, certo?” (p. 86).

       Leonard é apenas mais um jovem infeliz com a vida que frequenta o ensino médio e possui poucas pessoas com quem conversar. As que ainda têm certa relação (seu vizinho idoso, um rapaz da escola que toca violino lindamente, uma garota cristã e seu professor de história), ele decidiu dizer “adeus” de uma maneira que faça com que elas se lembrem dele: entregando um presente especial.

    “Estou tentando fazer com que ele saiba o que estou prestes a fazer. Estou torcendo para que ele possa me salvar, apesar de saber que não pode” (p. 31).

       O garoto não havia contado seu plano de homicídio/suicídio para ninguém, logo, a atitude em relação aos presentes somente causou estranhamento. O plano seria homicídio/suicídio porque depois de entregar os presentes, Leonard assassinaria seu ex-melhor amigo e depois tiraria a própria vida

    “Eu meio que espero que ele se sinta responsável de algum modo, que se sinta tão arrependido que chegue a passar mal” (P. 84).

       As pessoas não foram escolhidas a dedo, final, Leonard não tinha amigos. Eles eram os únicos que, por alguma razão, mantinham contato com ele. A medida que lemos os encontros, uma parte da vida do garoto é revelada, assim o leitor se situa mais e mais na cabeça do garoto a fim de compreender o porquê dele tomar a decisão. E, mesmo depois de ter lido, as razões são praticamente as mesmas de muitas outras pessoas que escolhem o mesmo caminho, tanto na literatura quanto na vida real: depressão. Nem sempre a doença é diagnosticada; pode se apresentar e desenvolver a partir de vários motivos.

    “Não deixar o mundo destruí-lo. Essa é uma batalha diária” (p. 187).

       É muito difícil estabelecer consideração finais sobre Leonard. Claramente, mesmo entendendo o personagem, NADA justificam suas escolhas, mas é impossível não sentir aflição e o desejo de se tornar amigo dele a fim de tentar ajudá-lo mostrando que o fim da linha não vai acabar com seu sofrimento.    

    perdao leonard peacock

       Particularmente, a ideia é criativa, mas a leitura não é tão empolgante assim. Não tem muita “cabeça” por trás da história, nem lições que possam acrescentar. É aquela história: menino infeliz + presentes + matar + ser lembrado. O desfecho, assim também como o desenvolvimento do livro, não causa emoção. Quando terminei, fiquei sem saber o que pensar. Se valeu ou não valeu a pena lê-lo. Até agora, depois de alguns meses, eu ainda não sei. A impressão que ficou foi que o Leonard ainda está solto por aí, sem um ponto final.

    -> Leia também (temática parecida): 
    Precisamos Falar Sobre o Kevin (Intrínseca);
    Bela Maldade (Intrínseca);
    Dia de Eutanásia (Landscape);
    Por Lugares Incríveis (Seguinte – RESENHA);
    Ruptura (Nova Fronteira – RESENHA);
    A Playlist de Hayden (Novo Conceito – RESENHA);
    Objetos Cortantes (Intrínseca – RESENHA).

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  • [Resenha] Diários de um Vampiro: O Despertar, L.J. Smith #1

    24 mar

    Despertar_Capa 02Sinopse: Um triângulo amoroso entre dois vampiros e uma bela jovem conquistou uma enorme legião de leitores nos anos 1990. ‘O Despertar’, primeiro volume da série de L. J. Smith lançado originalmente em 1991, deu origem à série de televisão Vampire Diaries, escrita e produzida por Kevin Williamson, roteirista de Dawson’s Creek. A série tem estreia confirmada no Brasil em novembro, na Warner Channel — nos Estados Unidos a estreia acontece em 10 de setembro, no canal CW, o mesmo de Gossip Girl. Irmãos e inimigos mortais, Damon e Stefan Salvatore são assombrados por um passado trágico. Vivendo nas sombras desde a Renascença italiana, eles estão condenados a uma vida solitária: são vampiros. Séculos mais tarde, o destino parece levá-los a percorrer o mesmo caminho que um dia os conduziu àquela galera-recordvida amaldiçoada e eterna. Em Fell’s Church, na Virgínia, Stefan conhece Elena Gilbert, uma adolescente bela e popular. No encalço de Stefan, Damon procura vingança, e logo Elena se verá divida entre os dois irmãos — e entre o amor e o perigo.

    Romance / Sobrenatural   |   240 páginas   |   Avaliação 1/5

       Último episódio de TVD lançou e nóis tá como? shahuhs Não sei quanto a vocês, mas eu acompanhei a série por uns 6 anos e vou te contar, nada me deixou mais decepcionada que aquele final Delena ¬.¬ (porque ou você é Delena ou você não assistiu direito. Assiste de novo kkkkkkkk). Maaaas acalme seu coração, pois não é spoiler nem nada, mas todo mundo sabe que os dois acabariam juntos, só que… Foi meio sem sal. Tivemos nosso desfecho e querendo ou não é isso aí. Claro que o final não desmerece a série como um todo. Me emocionei, chorei, diverti e me apaixonei com TVD. Vai deixar saudades! E para isso, por que não ler os livros que inspiraram a mesma? (confesso que li o primeiro há bastante tempo, o seriado não era tão queridinho como ele é hoje, e agora bateu uma vontadezinha de terminar de ler a saga. Aaah, mas preciso dizer que os livros são quase que completamente diferente da série.

       Em O Despertar, primeiro volume da série, temos como foco principal em Elena Gilbert, uma garota normal que se apaixona a primeira vista por Stefan Salvatore, um vampiro sanguinário (sqn). Particularmente, história é um pouco batida. Cheio de clichês e finais previsíveis. Tanto que na época que li, nada me deixou impressionada. O que me motivou a leitura foi o tamanho sucesso de Crepúsculo (não gostei do livro pela modinha, já tinha lido há tempos antes do filme estourar). E sim, os livros são maravilhosos! Mas convenhamos que aquele último volume foi ridículo. Volteeeemos aqui agora, porque o assunto de hoje é sobre Diários do Vampiro.

    diarios de um vampiro livro

    “Essa chama do Poder começara, despertando coisas dentro dele que seria melhor manter adormecidas. A necessidade da caça. O anseio pela caçada, pelo cheiro do medo e o  triunfo selvagem da morte. Já fazia anos – séculos – desde que ele sentira a necessidade com tanta força. Suas veias começaram a arder como fogo. E todos os seus pensamentos ficaram vermelhos: ele não conseguia pensar em nada, a não ser no gosto acobreado e quente, na vibração primordial do sangue” (P. 65).

       Gente, é impossível não comparar O Despertar com Crepúsculo. Então já adianto que você aí que conhece a história da Bella e do Edward vai ligar vários aspectos entre uma e outra. Temos a mocinha humana que começa a se interessar por um cara misterioso. Os dois se envolvem, mas ele não acha que é suficientemente bom para ela, tenta se distanciar, mas percebe que a ama. ASSIM mesmo! E a narrativa é em prol dessa situação. A escrita é boa, mas a história não é bem fluída. Como eu disse, é batida. A gente não se impressiona mais, já sabemos o que esperar.

    “A cada dia fica pior para mim. Sinto como se eu fosse um relógio ou coisa assim, com a corda cada vez mais apertada. Se eu não descobrir logo o que fazer, eu vou… Eu ia dizer ‘morrer'” (P. 80).

       Depois que a Elena e o Stefan se desenrolam, o livro praticamente acaba, porém com uma deixa: a chegada de Damon Salvatore! Rapaz, eles colocam o maior terror no Damon, e quando descobriram que ele chegou na cidade, ficaram enlouquecidos. E aí o livro termina. Por mais que eu não tenha gostado desse primeiro, hoje, depois de toda experiência com o seriado, sinto curiosidade de conhecer mais sobre os personagens pela visão de L.J. Smith, a criadora. Sem contar que o Damon é meu fav, deu nem pra sentir o gostinho da interação dele com a Elena 🙁

    “Mas agora a imagem dele enchia sua mente, o desejando tanto que era como uma dor física em seu corpo. Ela queria Stefan, queria seus braços em volta dela, queria estar segura com ele” (P. 134).

    Espero que tenham gostado da resenha. Conta sua experiência com TVD pra gente 🙂 Ia adorar ler!!

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  • [Lançamento Selo Jovem] O Blog Indica: Cartas Para Helen

    19 mar

    cartas para helen

    Sinopse: Ação/Aventura. “Entreguem… Entreguem para ela…”. Essas foram suas últimas palavras. Sob uma cidade destruída e abandonada, dois sobreviventes são testemunhas desse pedido. Em suas mãos, um punhado de cartas destinadas a uma mulher, e em volta, gritos anunciando o perigo. A única saída é fugir. A única maneira é se esconder. A única chance é lutar. Um mistério que os persegue até o fim, enquanto leem cada linha das cartas que carregam, que não só lhes dão uma esperança de sobreviver, como revelam a verdade por trás da catástrofe que os rodeiam.

    Dê uma chance a ele, vai! É só clicar AQUI para adquirir o seu 😀

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  • [Resenha] Um Perfeito Cavalheiro, Julia Quinn #3

    15 mar

    Um Perfeito Cavalheiro livroSinopse: Sophie sempre quis ir a um evento da sociedade londrina. Mas esse parece um sonho impossível. Apesar de ser filha de um conde, ela é fruto de uma relação ilegítima e foi relegada ao papel de criada pela madrasta assim que o pai morreu. Uma noite, porém, ela consegue entrar às escondidas no aguardado baile de máscaras de Lady Bridgerton. Lá, conhece o charmoso Benedict, filho da anfitriã, e se sente parte da realeza. No mesmo instante, uma faísca se acende entre eles. Infelizmente, o encantamento tem hora para acabar. À meia-noite, Sophie tem que sair correndo da festa e não revela sua identidade a Benedict. No dia seguinte, enquanto ele procura sua dama misteriosa por toda a cidade, Sophie é expulsa de casa pela madrasta e precisa deixar Londres. O destino faz com que os dois só se reencontrem três anos depois.editora-arqueiro Benedict a salva das garras de um bêbado violento, mas, para decepção de Sophie, não a reconhece nos trajes de criada. No entanto, logo se apaixona por ela de novo. Como é inaceitável que um homem de sua posição se case com uma serviçal, ele lhe propõe que seja sua amante, o que para Sophie é inconcebível.

    Romance de Época   |   304 páginas   |   Avaliação 3/5

       Nessa incrível sequência, conhecemos mais um Bridgerton: Benedict. Com um sobrenome de peso, grandiosa fortuna e dono de um incrível sorriso, o cavalheiro é um dos mais cobiçados solteirões, assim também como alvo fácil para as mães de filhas também solteiras. Entretanto, nenhuma delas o interessava tanto quanto uma bela dama que habitava em suas memórias.

       Aconteceu de Benedict avistar uma mulher em um baile de máscaras e não houve dúvidas, se apaixonou a primeira vista (tenho lá minhas dúvidas quanto a esse amor que bate e olho e BAM!, sabe? Ainda mais nessa situação, onde todos estavam com os rostos cobertos). 

    “Ao longo dos últimos dois anos, a lembrança de Benedict Bridgerton havia sido a luz mais brilhante em sua vida sombria e triste” (p. 86).

       A moça era (tcha ra rammm! Acalma o coração, pois não é spoiler haha) Sophie Beckett. Fica claro para o leitor desde o início a identidade dessa nossa “Cinderela”. Dos poucos instantes que Benedict esteve com a moça, teve a certeza de que era ela A mulher. Aquela que poderia facilmente chamá-la de sua esposa. Mas como tudo não é um mar de rosas, Sophie teve de deixar o baile mais cedo e Benedict nunca mais a veria. Não teria nem como procurá-la, pois não havia visto seu rosto. Aquilo o assombra por anos.

    um perfeito cavalheiro

       Passados três longos anos após o ocorrido, a vida dele e a de Sophie se cruzam, mas não como em um conto de fadas. Ela era pobre e trabalhava para uma casa de um senhor rico. Alguns homens a estava azarando em uma ala afastada durante uma social na residência, Benedict estava lá e a defendeu. Por obra do destino, convidou a moça para trabalhar para ele. Como um cavalheiro, não poderia deixá-la sofrer em mãos erradas.

       Antes de chegarem até a cidade, tiveram que parar em um chalá particular do senhor Bridgerton por conta do mal tempo. Aqueles dias foram mágicos! Sophie sabia de quem se tratava. Ele era parte de seus sonhos, a única parte de suas lembranças que trazia felicidade e conforto. Ao mesmo tempo em que ansiava em lhe dizer que ela era a moça que o conheceu no baile, lhe partia o coração pensar que Benedict nunca teria nada com ela, uma criada.

    “Tratou-a como uma mulher, não como uma criada qualquer, e, até aquele exato instante, ela não se dera conta de quanto sentia falta de ser tratada como uma pessoa” (p. 142).

       Os dias no chalé foi a parte mais engraçada e divertida, no meu ponto de vista. Diferentemente dos dois volumes anteriores, os quais me pegava rindo e sorrindo a toa, Um Perfeito Cavalheiro agrega um teor mais dramático, chegando ao ponto do coração ficar apertado algumas vezes. A razão disso é justamente a trajetória de vida da garota. Quando muito nova, perdeu tudo o que tinha e foi jogada nas garras de uma madrasta que carregava puro ódio em seu coração. 

       O interessante é que, como o livro é uma releitura de Cinderela, sabemos ao certo o que esperar dele. E, obviamente, como a autora é nada mais nada menos que a nossa queridinha (<3) Julia Quinn, finais felizes são certeiros!

       Recomendo essa aventura desse irmão Bridgerton. A razão da minha nota não ter sido máxima como as que eu avaliei nos dois livros anteriores é porque gostei muito mais do clima clichezão de água com açúcar, aquelas bem humoradas que deixa a gente flutuando hahaha E, queridos leitores (baixou a Lady Whistledown agora), devo lhe dizer que esta blogueira amoleceu o coração e a culpa é totalmente, completamente, impetuosamente de Julia Quinn.

    Até a próxima!

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  • [Resenha] The Kiss of Deception – Vol 1, Mary E. Pearson

    6 mar

    the kiss of deception resenhaSinopse: Plante ilusões e você colherá do mundo grandes decepções. A força feminina é a grande estrela neste romance de Mary E. Pearson. Tudo parecia perfeito, um verdadeiro conto de fadas, menos para a protagonista dessa história. Morrighan é um reino imerso em tradições, histórias e deveres, e a Primeira Filha da Casa Real, uma garota de 17 anos chamada Lia, decidiu fugir de um casamento arranjado que supostamente selaria a paz entre dois reinos através de uma aliança política. O jovem príncipe escolhido se vê então obrigado a atravessar o continente para encontrá-la a qualquer custo. Mas essa se torna também a missão de um temido assassino. Quem a encontrará primeiro? O primeiro
     volume das Crônicas de Amor e Ódio evoca culturas do nosso mundo e as transpõe para a história de forma darkside logomagnífica. É um livro sobre a importância da autodescoberta, do amor e como ele pode nos enganar, e de uma protagonista em busca de sua liberdade e felicidade a qualquer custo.

    Distopia/Romance   |   418 páginas   |   Avaliação 4/5

    Estou numa fase de ignorar esses livros de fantasia/aventura, de tanto que li e comecei a me aventurar em romances de época (coisa que eu nunca poderia imaginas, mas acabei conhecendo os Bridgertons e sabe como é, né… Aconteceu 🙂 ), mas, meu amigo, quanto bafafá que rolou acerca de The Kiss Of Deception, hein? E além do mais, tem essa capa dura maravilhosa com um mapa por dentro. AIII, Darkside, assim você me mata *.* (e me falir também hahaha).

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     A história é narrada em primeira pessoa através de Lia, a princesa do reino mais poderoso daquelas terras. A aventura começa quando ela se dá conta de que vai se casar para fortalecer alianças entre os povos. Por mais que isso acarrete sua morte, Lia seguiu em frente com seu plano e fugiu dali com a ajuda e companhia de sua amiga, Pauline.

    “Durante minha vida toda sonhei com alguém me amando pelo que eu era. Por quem eu era. Não por ser a filha de um rei. Não por ser a Primeira Filha. Apenas por mim. E, com certeza, não porque um pedaço de papel ordenava isso” (p. 160).

     A partir do mapa encontrado no livro, o leitor pode se orientar pelas passagens. As duas não foram muito longe daquelas fronteiras e acabaram em uma estalagem. Ali conseguiram um emprego. Lia esperava passar sua vida tranquila, porém, cá entre nós, a filha do rei realmente espera não ser encontrada? Claro que imaginou tropas a sua procura, mas mesmo assim achou que poderia escapar deles. É claro que o que ela pensou estava errado. Seria muito fácil. Ainda mais que as duas não estavam assim tão longe de sua terra natal. É aqui que conhecemos o Príncipe e o Assassino.

    “Talvez houvesse centenas de formas diferentes de se apaixonar” (p. 201). 

     Eles dois têm o mesmo objetivo: encontrar a princesa, o que difere é o que cada um vai aprontar com ela depois que a encontrasse. Os capítulos não possuem o nome de cada um, de modo que fica confuso determinar de incício quem é quem, mas não se preocupe que com o tempo vai tudo se encaixando. Basta prestar um pouquinho de atenção 😉

    “Pode-se levar anos para se moldar um sonho, mas é preciso apenas uma fração de segundo para despedaçá-lo” (p. 244).

     Meus mais sinceros PARABÉNS para a Mary. Nossa, mulher, que escrita deliciosa! Em pouco tempo já tinha devorado o livro (eu achava né? hahaha Claro que demorei um pouquinho, mas quando o trem tá bom a gente que não vê o tempo passar). Fiquei muito feliz com a minha aquisição e já decidi que quero acompanhar Lia até o final!

    the kiss of deception

       Os pontos que mais me incomodou foi ter me encantado com aquele mapa MARAVILHOSO e a autora não ter explorado quase nada 🙁 Como eu queria ter viajado e conhecido mais sobre os lugares ali mencionados. MAAAAS não estou tão frustrada porque esse ainda é só o primeiro da saga. Quem sabe o que mais vem por aí, né? #Ansiooooosa

       E outra coisinha: um pouco de encheção de linguiça. Gente, sério, a Lia passou um tempãããão encravada lá na estalagem. Tinha algumas situações que eu nem sabia o porquê de estar lendo. Simplesmente poderiam ter sido excluídas que não fariam diferença nenhuma. Mas tá ok. O que salvou foi a escrita gostosa dela (olha eu falando mais uma vez ahhaha) e nenhum pouco cansativa.

    the kiss of deception map

       Eu não poderia finalizar sem falar sobre os crush, né? Lá vai: Team Kaden e Team Rafe. Olha, acho que é a primeira vez que não fico tão divida. Nenhum dos dois me conquistou. Deu pra conhecê-los legal durante a leitura, só que não rolou aquela preferência. Pra mim os dois tiveram sua qualidades e defeitos.

    “Eu estava fazendo exatamente o que ele faria se estivesse no meu lugar: tentando sobreviver” (p. 321). 

     Ahhhh, eu amei também o fato do livro conter citações de um livro fictício que existe dentro daquele mundo. Amo, amo amo!

    Até a próxima!!!!

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